Na última quinta-feira, o presidente Donald Trump demitiu o General Timothy D. Haugh, chefe da Agência de Segurança Nacional (NSA) e do Comando Cibernético dos Estados Unidos, em um movimento que se insere em uma série de ações que têm enfraquecido as defesas cibernéticas do país. Isso ocorre justamente quando os Estados Unidos enfrentam alguns dos ataques cibernéticos mais sofisticados e contínuos de sua história, diz o New York Times.
Haugh, que liderava a infraestrutura de ciberdefesa do país, foi removido aparentemente sob pressão de Laura Loomer, uma seguidora de Trump da extrema-direita. Ele denunciou a interferência russa nas eleições de 2016.
Sua demissão aconteceu em meio a um processo de desmantelamento das defesas cibernéticas voltadas para a proteção das eleições, com exceção dos centros de comando da NSA em Fort Meade, Maryland.
Simultaneamente, o governo reduziu substancialmente a rede de alerta precoce contra ciberataques, uma estrutura que integra empresas de tecnologia, FBI e outras agências de inteligência para proteger a infraestrutura crítica do país, como a rede elétrica, oleodutos e sistemas de telecomunicações.
Especialistas em segurança cibernética, autoridades eleitorais e legisladores — principalmente democratas, mas também alguns republicanos — começaram a alertar que os Estados Unidos estão desmontando um sistema que levou uma década para ser desenvolvido, embora ainda tenha falhas. A administração tem afastado profissionais experientes e demitido novos talentos contratados para proteger o país de ameaças como ransomware, ataques cibernéticos da China e vulnerabilidades associadas à inteligência artificial.
“Em um momento em que os Estados Unidos enfrentam ameaças cibernéticas sem precedentes — como evidenciado no ataque cibernético ‘Salt Typhoon’ da China —, como a demissão do general Haugh pode tornar os americanos mais seguros?”, questionou o senador Mark Warner, da Virgínia, principal democrata no Comitê de Inteligência do Senado, após a remoção de Haugh.