O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) gastou cerca de R$ 8 milhões com sua defesa jurídica no processo que o tornou réu no Supremo Tribunal Federal (STF), mas desconsiderou os conselhos de seus advogados para manter um perfil moderado diante da Corte. Após o julgamento, o ex-presidente reuniu a imprensa e disparou críticas aos ministros do Supremo, repetindo um padrão de comportamento que marcou sua derrota eleitoral em 2022.
A defesa técnica de Bolsonaro, encabeçada pelo renomado criminalista Celso Vilardi, que atuou em casos como o mensalão e a Lava Jato, adotou uma estratégia jurídica cuidadosa. Vilardi, conhecido por boa relação com os ministros do STF, apresentou uma defesa baseada em supostas falhas processuais nas investigações da Polícia Federal, evitando o tom de confronto característico do bolsonarismo.
“Era uma decisão política, mas tinha como intenção também mostrar o suposto respeito do ex-presidente pelo Judiciário”, analisam fontes próximas ao caso, segundo o Uol. O advogado compareceu sozinho ao STF no primeiro dia do julgamento, mantendo distância de outros defensores de Bolsonaro conhecidos por reproduzir o discurso agressivo do ex-presidente.
No entanto, no segundo dia de julgamento, Bolsonaro apareceu para a imprensa acompanhado do advogado Paulo Cunha Bueno, menos refratário ao estilo combativo do ex-presidente, e de parlamentares bolsonaristas.
Foi quando entrou no que ficou conhecido como “modo cercadinho”, disparando uma série de críticas ao sistema eleitoral, à Polícia Federal e aos ministros do STF, especialmente Alexandre de Moraes, chamado de “ditador da toga” pelos bolsonaristas.
Esta oscilação entre a defesa técnica e o discurso de confronto ameaça minar a estratégia jurídica. “O esforço para transmitir equilíbrio cai por terra quando Bolsonaro faz discursos mercuriais contra o STF”, observaram analistas políticos. Apenas no dia em que foi formalmente tornado réu, o ex-presidente fez dois discursos inflamados contra a Corte.
O comportamento repete o padrão observado durante as eleições de 2022, quando Bolsonaro oscilava entre dois núcleos de assessores com orientações opostas: um grupo político, que buscava moderar suas declarações, e outro ideológico, que incentivava o confronto com as instituições.
“Passada a eleição, [Ciro Nogueira] disse que Bolsonaro perdeu por causa de frases inapropriadas”, lembram fontes próximas ao ex-presidente.
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