O atendimento de uma jovem russa grávida em um hospital na Argentina desencadeou uma investigação sobre tráfico humano e motivou a prisão de 15 pessoas suspeitas de integrar uma organização criminosa internacional. O grupo teria ligação com a seita Ashram Shambala e o Brasil é citado na apuração.
Segundo o jornal argentino La Nación, o caso começou a ser investigado no Hospital Zonal Doutor Ramón Carillo, na cidade de San Carlos de Bariloche. A garota foi identificada apenas como E. M. e estava acompanhada de duas mulheres quando buscou atendimento.
Durante a triagem da paciente grávida, funcionários do hospital suspeitaram do comportamento das acompanhantes, que demonstravam nervosismo e hesitação ao responder perguntas básicas sobre estado civil e local de residência.
As quatro deixaram o hospital de maneira apressada e funcionárias notificaram a polícia. Pouco tempo depois, outras duas mulheres russas apareceram no hospital para perguntar sobre a saúde de uma jovem e de um bebê recém-nascido.
Na sequência, o Ministério da Segurança Nacional argentino acionou a Polícia Federal (PFA) e a Polícia de Segurança Aeroportuária (PSA) iniciaram a investigação. Todas as mulheres foram presas e liberadas dias depois, mas a apuração prosseguiu após indícios de que elas poderiam fazer parte de uma organização criminosa transnacional de tráfico humano.
Autoridades do país monitoraram suspeitos que estavam em deslocamento no país e identificaram um grupo de sete russos, com um homem e seis mulheres, que estava pronto para embarcar no Aeroporto Internacional Teniente Luis Candelaria, em Bariloche. Todos tinham sinais de desnutrição.
O homem já havia sido condenado a 11 anos de prisão na Europa e tentou tirar a própria vida ao ser preso, cortando o pescoço com uma lâmina de barbear. Ele foi impedido pelos policiais e conseguiu fugir posteriormente.
Policiais também encontraram outros seis suspeitos, três homens russos e três mulheres de diferentes nacionalidades (uma mexicana, uma brasileira e uma russa), no Aeroporto Jorge Newbery. Todos os presos compraram passagens na mesma agência de viagens para o Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.
Investigadores identificaram que outros cidadãos russos embarcaram pra o Brasil recentemente, o que gerou a suspeita de que eles utilizavam a Argentina como ponto de passagem para levar as vítimas a outros países.
A polícia apura se as mulheres são vítimas de exploração sexual e menciona a seita Ashram Shambala, conhecida por impor submissão sexual a seus membros e realizar orgias controladas pelos líderes. A procuradoria-Geral da República de Bariloche agora tenta determinar a extensão da organização criminosa e sua atuação em outros países, como o Brasil.
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