Em dois longos e intermináveis dias de puro pesadelo, nos dias 3 e 4 de abril, Wall Street testemunhou, enquanto lutava desesperadamente para exorcizar o espectro do Crash de 1929, a colossal dissipação de US$ 6 trilhões em valor de mercado.
O protagonista desta tragédia financeira?
Donald Trump, o fascista infantilizado que se diverte encenando o papel de presidente, tornou-se o arquiteto involuntário do declínio estadunidense e, em apenas três meses, fez mais pelo colapso do império do que qualquer estrategista chinês ousaria sonhar. Se os “comunistas de Mao” tivessem um agente secreto na Casa Branca, dificilmente ele teria sido mais eficiente.
Os números falam por si: desde que Trump assumiu o poder, o mercado estadunidense já perdeu US$ 9,6 trilhões em valorização. Para além desse estrago, as tarifas — as mais elevadas em um século — impostas na última quarta-feira até para os pinguins das Ilhas Heard e McDonald funcionam como um imposto disfarçado sobre o consumidor: um presente de grego aos seus eleitores, que turbina a inflação, já rondando os 4%. O J.P.
Morgan prevê recessão — com potencial de contágio global; o Barclays anuncia contração do PIB dos EUA no quarto trimestre. Até o petróleo, velho termômetro da economia real, despencou quase 15%. Ngozi Okonjo-Iweala, da OMC, foi taxativa: o comércio global poderá encolher 1% em 2025, com risco de um “ciclo retaliatório”.
Nos últimos dois dias, o Nasdaq mergulhou em território de urso, com queda de 5,8% em um único pregão; o S&P 500 despencou 6%, e o Dow Jones não ficou atrás, recuando 5,5%. O Federal Reserve, encurralado entre a recessão e a inflação, assemelha-se a um ébrio tentando equilibrar-se em uma corda bamba estendida entre dois abismos. Jerome Powell, pressionado por Trump a cortar os juros, limitou-se a mencionar “riscos elevados” — eufemismo elegante para “o presidente está nos conduzindo ao precipício”. O mercado, em pânico, precificou quatro cortes de juros até o fim do ano. Mas, como bem resumiu um analista, “é difícil acalmar os ânimos quando o piromaníaco ainda está com o isqueiro na mão”.
Os magnatas do Vale do Silício, outrora entusiásticos patrocinadores de Trump, agora vivem um pesadelo particular: Mark Zuckerberg viu a Meta derreter 14% em dois dias; Jeff Bezos, cuja Amazon tombou 13%, talvez se pergunte se não teria sido mais prudente concentrar-se nos foguetes. Larry Ellison, dono da Oracle e notório apoiador republicano, assistiu a um tombo de 12% — ironicamente, nem seu software de banco de dados conseguiu prever o desastre.
Mas a estrela (cadente) do espetáculo foi a Tesla, cujas ações caíram 10% apenas na sexta-feira — e 16% em dois dias. A montadora de Elon Musk, outrora sinônimo de inovação, tornou-se um sinal de alerta: carros com painéis que se descolam, direções autônomas que confundem caminhões com nuvens e uma concorrência chinesa que, em termos de tecnologia e preço, faz a Tesla parecer uma carroça elétrica. Enquanto a BYD e a NIO dominam mercados com baterias mais eficientes e assistentes de IA que não travam, Musk desperdiça seu capital político brigando no X (antigo Twitter) e demitindo engenheiros.
E a China?
Enquanto Trump brinca de “quem pisca primeiro”, Pequim, em justa reciprocidade, devolveu-lhe o bebê — afinal, quem pariu Mateus que o embale — e respondeu com tarifas de 34%, embargou empresas estadunidenses, instituiu o controle sobre metais raros — sem os quais a indústria tecnológica dos EUA vira sucata — e abriu investigações antitruste contra gigantes como a DuPont. “Eles não desferem o primeiro golpe, mas sempre revidam. Trump, em contraste, age como um ébrio em uma loja de porcelanas — sem plano, sem estratégia, apenas ego e Twitter”, tuitou Joe Mazur, da Trivium.
Na segunda-feira, os mercados reabrem — mas a crise não repousa. O Fed poderá ser forçado a cortar os juros em maio, embora, como advertiu Powell, “tarifas são inflacionárias por natureza”. Trump, é claro, permanece em negação: no Truth Social, chamou os números de emprego de “FANTÁSTICOS” e acusou a China de “TER ERRADO” ao exercer seu legítimo direito de reciprocidade comercial.
Enquanto o mundo assiste aos pilares do império estadunidense serem bombardeados por um governo aloprado, resta a dúvida: como foi possível que a nação mais rica, poderosa e influente do planeta entregasse as chaves de seu destino a um fascista, narcisista e criminoso — sentenciado em dois processos criminais — e ainda assim o empossasse com pompa e circunstância?
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