Para justificar o aumento das tarifas sobre produtos importados — o chamado “tarifaço de Trump” — o governo dos Estados Unidos divulgou um relatório que aponta o Brasil como um dos países com índices elevados de pirataria e falsificação. Com informações do Jornal Nacional.
No documento, a tradicional Rua 25 de Março, no centro de São Paulo, é citada nominalmente como um dos principais polos de comércio ilegal do mundo.
Entre barracas improvisadas e vitrines informais, vendedores oferecem produtos “quase originais”, com preços muito abaixo dos praticados no mercado formal. Um par de tênis, por exemplo, é vendido a R$ 10, enquanto o original custa cerca de R$ 120. Questionada sobre a procedência, uma vendedora admite: “Esse é o mais perto do original que tem.”
Apesar de comum no comércio popular, a pirataria não é inofensiva — é crime. A prática infringe direitos autorais, marcas registradas e alimenta um mercado paralelo que movimenta bilhões sem qualquer controle fiscal ou arrecadação de impostos. O relatório americano reforça que o problema vai além das fronteiras brasileiras e demanda atenção global.
De acordo com o Fórum Nacional Contra a Pirataria, o Brasil deixou de arrecadar cerca de R$ 500 bilhões em 2024 devido à comercialização de produtos ilegais. Esse valor representa tanto a perda de vendas pelas empresas formalizadas quanto os impostos não recolhidos. O impacto atinge diretamente a economia formal, que perde competitividade, investimentos e capacidade de gerar empregos.
O relatório dos Estados Unidos ressalta que, embora o Brasil tenha registrado avanços na fiscalização nos últimos anos, os esforços ainda são insuficientes para conter o mercado ilegal — tanto no ambiente físico quanto no digital. Apesar das críticas, o documento reconhece que a pirataria é um desafio global. Nas ruas de Nova York, por exemplo, também é possível encontrar com facilidade produtos falsificados.
Especialistas alertam que medidas protecionistas, como o aumento de tarifas de importação, podem ter o efeito oposto ao desejado. Ao encarecer produtos originais vendidos no comércio formal, o chamado “tarifaço” pode estimular ainda mais o consumo de itens ilegais, que continuam sendo ofertados a preços muito mais baixos.
Em resposta ao relatório americano, a União dos Lojistas da 25 de Março lamentou a generalização feita sobre a região e defendeu que a maioria dos comerciantes atua de forma legal há décadas. A entidade reconhece que há casos isolados de irregularidades, mas afirma que essas situações são combatidas com frequência, em parceria com o poder público.
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