A reportagem da Folha de S.Paulo, publicada na terça-feira (1º), sobre o suposto uso de um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes para assistir à final do Campeonato Paulista entre Corinthians e Palmeiras, é um grande exemplo de manipulação e desonestidade jornalística.
Na matéria, intitulada “Moraes alega segurança e usa voo da FAB na véspera de ver final no estádio do Corinthians”, a Folha apresenta a informação como se fosse um escândalo, mas ignora que já havia um pedido formal do ministro à FAB, feito com antecedência, e que o deslocamento foi justificado por motivos de segurança, em meio aos ataques bolsonaristas contra ele. O jornal faz um uso seletivo de informações para construir uma narrativa dúbia.
Ao dizer que Moraes usou o avião um dia antes de ir ao estádio, a Folha não afirma diretamente que o motivo da viagem foi o jogo, mas induz o leitor a essa conclusão. É uma armadilha retórica que fortalece o discurso dos apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. A manchete já é toda construída para viralizar nas redes bolsonaristas, gerando mais ódio ao ministro, como se ele estivesse usando dinheiro público para ir ao estádio.
No mesmo dia da partida, Moraes havia participado em São Paulo do seminário “Democracia, Justiça, Política e o Futuro do Ministério Público na Perspectiva Feminina”. De noite, ele resolveu ir a um jogo de futebol. Simples assim.
A matéria planta uma dúvida sobre a conduta de Moraes, mas se contradiz ao longo do texto, admitindo que:
1. Ele tinha agenda de trabalho em São Paulo;
2. A FAB autorizou o voo por razões de segurança;
3. O uso do avião segue decreto vigente, ainda mais após ameaças reais;
4. Outros ministros também usaram aeronaves da FAB por recomendação de segurança.
A Folha dá espaço para um colunista seu, Bruno Morassutti, dizer que “por mais que o ministro tenha direito a ter uma vida particular (…), o ideal seria que ela refletisse aquilo que a sociedade brasileira espera como utilização adequada dos bens públicos”. Que colunista iria contra o jornal que o emprega?
A própria reportagem informa que o uso do avião da FAB segue um decreto em vigor (nº 10.267/2020), reforçado após o 8 de janeiro, e que se tornou mais comum devido a ameaças e até atentados. Ainda assim, traz uma interpretação moralizante, descolada do que foi estabelecido como regra de segurança.
Trata-se de um movimento coordenado para desgastar a imagem do ministro. A Folha sabe que isso vai cair como uma bomba nas redes, e sabe que esse tipo de insinuação, vindo dela, ganha peso de verdade. É um jogo sujo.