Mesmo julgado inelegível pelo Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO), o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), lançou sua pré-candidatura à Presidência da República nesta sexta-feira (4) em Salvador, buscando se consolidar como uma alternativa ao eleitorado de direita diante da possível ausência de Jair Bolsonaro (PL) na disputa de 2026.
Em entrevista à BBC News Brasil, Caiado evitou falar diretamente do ex-presidente, mas deixou claro que não pretende ser um “preposto” de ninguém.
“Eu sou um político, eu não sou encabrestado de ninguém. Eu tenho a minha independência intelectual”, afirmou Caiado, destacando sua trajetória de décadas de oposição a Lula e ao PT. “Não existe nenhum político no Brasil que tenha essa antecedência de confronto com o Lula e com o PT do que Ronaldo Caiado. Então, eu não preciso me explicar”, emendou.
A estratégia do governador é capitalizar seu histórico como líder ruralista e sua experiência administrativa em Goiás para se diferenciar de outros nomes da direita e da extrema-direita, como os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Romeu Zema (Novo-MG).
Questionado sobre como se relaciona com o eleitorado bolsonarista, Caiado evitou um alinhamento explícito, preferindo reforçar sua independência política: “Ou você governa na autenticidade sua, ou você passa a ser preposto de alguém. Eu não sou preposto de ninguém”.
Ao mesmo tempo, criticou o governo Lula, classificando como “populista” a proposta de taxar mais os super-ricos para compensar a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Caiado, cuja fortuna declarada é de quase R$ 25 milhões, afirmou que a medida é uma cortina de fumaça para o que chamou de “gasto desenfreado” do governo federal.
Defensor de políticas de “tolerância zero”, Caiado justificou os altos índices de letalidade policial em Goiás – o terceiro estado com mais mortes violentas por agentes do Estado em 2023 – como um reflexo do enfrentamento ao crime.
“Quando o crime é confrontado com a polícia, quem é que morreu nesse enfrentamento?”, questionou. “A tropa do Estado é preparada para o confronto”, continuou.
Caiado está inelegível?
Apesar do discurso confiante, o goiano enfrenta obstáculos legais e políticos para seguir com sua campanha. O União Brasil pode formar uma federação partidária com o PP, o que poderia enfraquecer sua candidatura.
Na próxima terça-feira (8/4), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julgará um recurso contra sua inelegibilidade por abuso de poder político durante as eleições municipais de 2022.
O governador nega as acusações, argumentando que usou o Palácio das Esmeraldas, sua residência oficial, e não o gabinete administrativo, para receber aliados. “Essa matéria não tem nenhum fundamento”, disse, comparando seu caso ao de Bolsonaro, Lula e Dilma Rousseff, que também recebiam políticos em suas residências oficiais.
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