Em um ato realizado na PUC-SP na última segunda-feira (31), data que marca o início do golpe militar de 1964, políticos e intelectuais de esquerda discutiram estratégias para fortalecer suas manifestações de rua, usando como símbolo o caso da militante que pichou a estátua “A Justiça” com batom. O objetivo é criar uma resposta à pressão bolsonarista pela anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, do grupo Prerrogativas, comparou a liberação da cabeleireira Debora Rodrigues dos Santos, presa por dois anos por participação no 8 de Janeiro, com a situação de milhares de mulheres encarceradas no Brasil.
“O que faltou para cada uma das moças que seguem sem ver seus filhos, privadas de condições mínimas de dignidade, no sistema penitenciário medieval que é o do nosso país? Talvez tenha faltado um batom”, afirmou.
O jurista Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, propôs um “mutirão do batom para que as 40 mil mulheres presas possam ser ouvidas”, transformando o gesto da pichação em um símbolo de resistência.
José Dirceu, ex-ministro-chefe da Casa Civil, argumentou que a esquerda precisa conquistar a classe média e retomar o espaço público. “A ditadura militar instituiu o AI-5 não foi por causa da resistência armada, que existia realmente. Foi porque as greves e o movimento operário tinham começado a se levantar”, disse.
Ele destacou que a classe média, hoje majoritariamente liberal e anti-Bolsonaro, foi decisiva na vitória de Lula em 2022 e deve ser envolvida nas manifestações. “Temos que disputar as ruas. 500, mil, 2.000, 10 mil, 100 mil [pessoas], não interessa”, conclamou, sob aplausos.
Assista o evento na íntegra:
Dirceu também criticou a resistência da elite à reforma tributária do governo Lula, que propõe isentar rendas de até R$ 5.000 e taxar mais os mais ricos. “Já sabemos o que os ricos brasileiros pensam. Não pode cobrar Imposto de Renda deles de jeito nenhum”, ironizou.
O ex-ministro lembrou que a elite já “abraçou” o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) como candidato presidencial em 2026, citando supostas promessas de privatizações radicais. “Tarcísio está prometendo pra eles a privatização da Petrobras, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica, do BNDES, da Previdência”, afirmou.
Apesar dos discursos, as recentes manifestações de esquerda tiveram baixa adesão. O cantor Chico César relatou que, em seu show no domingo (30), poucos presentes tinham ido aos atos contra a anistia. “Não adianta ficar só nas redes, tem que ir para a rua”, alertou.
José Genoino reforçou que, além da atuação do STF, a esquerda precisa “ganhar corações e mentes” na disputa política. O grupo alerta para o risco de subestimar o próximo ato bolsonarista em São Paulo, que pode superar a mobilização de Copacabana.
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