Roberta Jersyka Oliveira Brasil Soares, de 37 anos, condenada pelos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023, está foragida na Argentina desde maio do ano passado, após quebrar a tornozeleira eletrônica que usava por ordem judicial. A informação foi comunicada nesta semana ao Supremo Tribunal Federal (STF).
A estudante de medicina foi condenada a 14 anos de prisão pelos crimes de golpe de Estado, dano ao patrimônio público e associação criminosa. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), Roberta participou ativamente da depredação do Congresso Nacional durante os atos golpistas.
A denúncia do MP descreve a destruição de vidraças, obras de arte, móveis e até um veículo oficial. Também há menção ao uso de substâncias inflamáveis para incendiar áreas do prédio, como o tapete do Salão Verde da Câmara dos Deputados.
“A denunciada passou a quebrar vidraças, espelhos, obras de arte e queimou o tapete do salão verde usando substância inflamável”, afirmou a PGR.
A fuga ocorreu em 25 de maio de 2023, 11 dias após reportagem do UOL revelar que dezenas de investigados e condenados por envolvimento nos atos golpistas estavam se refugiando na Argentina.
A defesa da estudante confirmou que ela está no país vizinho, mas afirma que Roberta vive de forma isolada. “Ela decidiu viver de forma isolada. Não mantenho contato com ela”, disse a advogada Carolina Siebra, ao UOL.
Em petição enviada ao STF, a defesa de Roberta argumentou que não há provas de sua intenção de depor o governo eleito. “Adentrar em prédio público aberto não é crime. As acusações são ilações infundadas”, afirmou a advogada.
Carolina também contestou a acusação de tentativa de golpe de Estado: “A tentativa de golpe é crime impossível de ser realizado. A PGR não conseguiu provar a intenção da Roberta”, disse.
Roberta é formada em engenharia pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e vivia no estado antes de se mudar para São Paulo. Ela é filha de um segundo-tenente do Exército, já falecido, e sua mãe recebe pensão militar. Detida em flagrante no dia dos ataques, a estudante foi posteriormente colocada em prisão domiciliar com o uso de tornozeleira eletrônica — que acabou rompendo antes de fugir para fora do país.