A série ‘Adolescência’, da Netflix, virou um fenômeno global e despertou a curiosidade de um público diverso. Em quatro episódios, a produção explora temas como masculinidade tóxica, violência online, a cultura incel (“celibatários involuntários”) e a chamada teoria 80/20.
Ela parte da ideia de que, em todo o mundo, 80% das mulheres se interessam apenas pelos 20% dos homens considerados mais atraentes, deixando o restante à margem das relações afetivas. Nessa lógica, a maioria dos homens seria automaticamente preterida, o que alimenta sentimentos de exclusão e injustiça entre jovens que se enxergam fora desse seleto grupo.
Na trama, o protagonista Ryan adota essa visão sem questionamentos. Ele e seus amigos passam a acreditar que apenas homens com certos privilégios conseguem atenção feminina, enquanto os demais estariam condenados à solidão.
Princípio de Pareto
A teoria é uma distorção do princípio de Pareto, também conhecido como regra 80/20, formulado pelo economista italiano Vilfredo Pareto no século XIX. Ele observou que, em muitos fenômenos, cerca de 80% dos efeitos vêm de 20% das causas.
Originalmente aplicado à distribuição de riqueza — em que 20% da população concentrava 80% dos recursos — o conceito passou a ser usado em diversas áreas, como economia, gestão e produtividade. No caso dos grupos incels, essa lógica foi aplicada às relações afetivas, sugerindo que uma minoria de homens atrai a maioria das mulheres.
O que são os incels?
Os “incels”, abreviação de “involuntary celibates” (celibatários involuntários), formam uma subcultura online composta por indivíduos que se veem como incapazes de estabelecer relacionamentos românticos ou sexuais, apesar de desejarem isso.
O termo foi cunhado nos anos 1990, por uma estudante canadense, para descrever pessoas que enfrentavam dificuldades em encontrar parceiros. O significado evoluiu e passou a ser associado principalmente a comunidades masculinas que expressam ressentimento em relação às mulheres e à sociedade.
Muitos membros dessas comunidades atribuem sua situação à crença de que as mulheres privilegiam apenas uma parcela dos homens, deixando os demais sem oportunidades. Hoje existem na internet diversos fóruns incels, que frequentemente incluem temas como autopiedade, ódio às mulheres e, por vezes, racismo.
A subcultura incel tem sido associada a incidentes violentos, nos quais indivíduos que se identificam como incels cometeram ataques fatais, principalmente em escolas.