As dificuldades de Jair Bolsonaro (PL) só estão começando, e não se trata apenas das questões jurídicas.
Agora que se tornou réu no Supremo Tribunal Federal, acusado de tentativa de golpe de Estado, são as dificuldades políticas que se destacam. A julgar pela conduta dos ministros do STF até aqui, apenas um milagre de natureza desconhecida poderá livrar Bolsonaro de uma condenação — e, consequentemente, da inelegibilidade permanente.
Ainda assim, ele adotou oficialmente a postura de vítima de perseguição política. Mas até que ponto essa estratégia o beneficia? O espectro de centro-direita abrange a maior parte do eleitorado brasileiro, e, dentro dele, Bolsonaro é um cabo eleitoral de grande peso, embora não domine, dirija ou conduza essa ampla parcela de eleitores como gostaria.
Ele deixou claro que seguirá o caminho já percorrido por seu principal adversário, Lula (PT), que, quando inelegível, esticou ao máximo sua influência até mesmo na indicação de um candidato. Nos últimos oito anos, a polarização se consolidou, mas tanto Lula quanto Bolsonaro já não brilham como antes. Ambos enfrentam dificuldades para endossar herdeiros políticos e coordenar forças aliadas.
A polarização que persiste no cenário político já cansa boa parte do eleitorado. O contexto em torno do julgamento de Bolsonaro lhe ofereceu a oportunidade de se apresentar como vítima de perseguição. No entanto, ser visto como vítima é uma coisa; ser considerado uma alternativa viável de poder é outra.