Uma nova revelação que envolve o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) III Tozinho Gadelha, na cidade de Sousa, Sertão da Paraíba, foi feita na tarde desta quinta-feira (03) durante o programa Olho Vivo da Rede Diário do Sertão. A jovem Maria de Fátima, sobrinha da paciente Eliana Pereira de Melo, que morreu asfixiada em um leito do CAPS no dia 25 de março, contou que em 2017 sua tia relatou ter sido abusada sexualmente por um funcionário da unidade.
O primeiro atendimento de Eliana no CAPS Tozinho Gadelha aconteceu em 2017. Ao chegar em casa, ela contou para alguns familiares que teria sido abusada sexualmente por um funcionário. A sobrinha conta que a família não denunciou o caso por medo de algo pior acontecer com Eliana se ela retornasse àquela unidade.
“Na época, a gente teve medo de denunciar e ser preciso ela ser internada lá novamente e acontecer alguma coisa pior. A gente teve medo disso e não denunciamos na época”, recorda a jovem.
Eliana faleceu na madrugada de 25 de março deste ano no CAPS Tozinho Gadelha após uma semana internada. Ela foi encontrada amarrada a um leito, com contenções nos punhos e braços, enquanto as das pernas estavam soltas. O laudo atestou morte por asfixia mecânica indireta.
“É muito revoltante e doloroso para nossa família ter perdido a minha tia dessa forma, uma pessoa tão jovem, cheia de sonhos. A gente espera que as autoridades façam justiça, esclareçam todos os fatos e que isso não volte a acontecer com mais ninguém, com nenhum paciente do CAPS”, disse Maria de Fátima.
A jovem também afirma que o CAPS Tozinho Gadelha não comunicou a morte de Eliana aos familiares no dia do fato. Segundo ela, o marido e uma irmã da vítima só descobriram o ocorrido quando foram visitá-la na unidade.
“O esposo dela ia todos os dias pela manhã deixar a roupa dela, e a gente não estava podendo ver ela, a gente foi proibido de visitar ela, nem a voz eles queriam que a gente escutasse. Quando foi na manhã da terça-feira, dia 25, o esposo dela chegou lá e comunicaram a ele que queriam conversar com ele. Minha outra tia, que era irmã dela, tinha ido para Sousa fazer um exame de sangue, e por acaso ela disse ‘eu vou lá no CAPS saber notícia de Eliana’. Quando ela chegou lá, começou a chegar polícia. Ninguém comunicou nada. A gente só ficou sabendo porque a minha tia Maria e o esposo dela foram lá e ficaram sabendo lá”, relata a sobrinha.

Eliana Pereira faleceu no CAPS Tozinho Gadelha, em Sousa, por asfixia mecânica indireta (Arquivo Pessoal)
Afastamento de servidores
A Prefeitura de Sousa afastou, nesta quinta-feira, cinco servidores públicos municipais que trabalham no CAPS Tozinho Gadelha. As autoridades investigam se houve negligência, maus-tratos e abusos envolvendo esses servidores contra a vítima durante a internação. A medida, conforme justificada pela Portaria, tem como objetivo evitar que os investigados “venham a influir na apuração dos fatos objeto do processo em referência”.
“Foi necessário, sim, eles serem afastados, porque a gente vê que tiveram culpa, que foi negligência médica, que ela estava se debatendo numa cama, amarrada, e ninguém viu, ninguém socorreu na hora que ela estava precisando”, disse a sobrinha, emocionada.
O outro lado
O Diário do Sertão tentou contato com a Secretaria Municipal de Saúde pelo telefone fixo disponível no site da Prefeitura, mas não houve chamada. O portal também tentou contato com a coordenadora do CAPS Tozinho Gadelha, Waleska Cristyna, mas as chamadas não foram atendidas. Por fim, telefonamos para o chefe de gabinete da Prefeitura, Heitor de Sousa Camilo, para tentar, através dele, contatos com as pessoas e órgãos citados, mas as ligações também não foram atendidas.
DIÁRIO DO SERTÃO
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