Nos últimos dias, um grupo de “caretas” tem gerado crescente preocupação em Cajazeiras, no Sertão da Paraíba, após serem registrados casos de ameaças e pequenos furtos no centro da cidade.
Os “caretas” fazem parte da cultura folclórica dessa região do Nordeste. Trata-se de jovens que se fantaziam com palhas secas e máscaras durante o período que antecede a Semana Santa. Acontece que alguns deles foram vistos armados com facas, o que alarmou a população e levou à intervenção das autoridades locais.
O presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB Cajazeiras, Victor Saulo, comentou o caso no programa Olho Vivo, da Rede Diário do Sertão. De acordo com ele, embora a tradição dos “caretas” seja uma prática cultural reconhecida, a situação tem se tornado mais perigosa com o passar do tempo.
“É uma tradição na nossa região, sair mascarado, coberto de palha, pedir comida, brincar, se divertir. Só que hoje, com o avanço do tempo, as condições se tornam mais perigosas e inseguras. Não é de hoje que, antes da Páscoa, buscamos conversar com o Conselho Tutelar e com o Ministério Público, mas fomos surpreendidos este ano com imagens que rodaram os grupos de WhatsApp, mostrando caretas com facas nas mãos e até mesmo cometendo furtos no centro da cidade”, relatou.
O fato mais alarmante, segundo Victor Saulo, foi o uso de armas brancas por adolescentes, que, sob o disfarce dos “caretas”, teriam feito ameaças para forçar as doações. O presidente da Comissão afirmou que a OAB, em conjunto com o Ministério Público e o Conselho Tutelar, tomou medidas imediatas para garantir a segurança da população e dos jovens envolvidos.
“Entramos em contato com o Conselho Tutelar e com o Ministério Público. Quero frisar que muitos pensam que Cajazeiras não tem um Conselho Tutelar ou que a cidade está sem lei, mas isso não é verdade. O Conselho Tutelar tem cumprido o seu papel, assim como o Ministério Público. Estivemos em reunião no dia 28 de março com o Promotor da Infância e da Juventude, Dr. Levi, e desde segunda-feira, 31 de março, estão sendo feitas rondas na cidade com o carro do Conselho Tutelar percorrendo o município, inclusive contando com a presença do próprio promotor, que se dispôs a ir pessoalmente”, explicou Saulo.
A ação tem como objetivo recolher crianças e adolescentes que estejam na rua desacompanhados de seus responsáveis, garantindo a proteção dos menores. No entanto, o presidente da OAB destacou que a intenção não é impedir o direito à cultura.
“De forma nenhuma somos contra o direito à cultura. A Comissão de Direitos Humanos e a OAB buscam zelar por esse direito fundamental, principalmente para crianças e adolescentes. Todos têm o direito de participar das tradições culturais, mas sem colocar em risco a segurança e o bem-estar de ninguém”, afirmou.
A ação das autoridades visa garantir que as festividades e tradições da Semana Santa em Cajazeiras ocorram de forma segura e respeitosa, sem que se repitam episódios de violência ou intimidação. O caso segue sendo monitorado, e a comunidade permanece atenta às orientações do Conselho Tutelar e do Ministério Público.
DIÁRIO DO SERTÃO
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