Val Kilmer, ator que faleceu aos 65 anos na noite de terça-feira, 1º, foi diagnosticado com câncer na garganta em 2014. Contudo, ele só procurou ajuda médica em 2015, após um sangramento que agravou seu quadro.
A relutância de Kilmer em buscar tratamento médico foi influenciada por suas crenças na Ciência Cristã, afirmam seus familiares. Os seguidores dessa religião acreditam que a cura não vem da medicina, mas das orações. Fundada em 1879 na Nova Inglaterra, a Ciência Cristã ensinava que seus adeptos deveriam evitar cuidados médicos em qualquer circunstância.
Embora essa regra fosse amplamente seguida pelos membros da religião, nos últimos anos os líderes da Igreja adotaram uma postura mais flexível, permitindo o uso de cuidados médicos em situações consideradas extremamente necessárias, devido à diminuição do número de fiéis.
Além disso, a religião tem buscado convencer os legisladores dos Estados Unidos de que sua abordagem é uma alternativa válida no cuidado de doentes, e tem pleiteado que os custos com tratamentos sejam cobertos por seguradoras e incluídos na legislação de saúde do país.
A Ciência Cristã treina seus praticantes para auxiliar nas orações, mas seus credenciamentos não envolvem formação médica, baseando-se na crença de que as doenças surgem de um conflito entre o “pensamento correto” e o “pensamento incorreto”. Mary Baker Eddy, fundadora da religião, escreveu no livro “Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras” que aqueles que recorrem à medicina “convidam a derrota”.
Em 2010, especialistas estimaram que o número de fiéis da Ciência Cristã nos Estados Unidos era inferior a 100 mil. “Somos uma igreja em uma curva lenta de declínio, em grande parte porque as pessoas nos veem como radicais demais”, disse Phillip Davis, porta-voz nacional da igreja, em entrevista ao New York Times.
No Brasil, a religião tem bases em 10 cidades: São Paulo, São Caetano, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Florianópolis, Blumenau, Joinville e Porto Alegre.
Val Kilmer e a Ciência Cristã
Val Kilmer, seguidor da Ciência Cristã, buscou ajuda médica para tratar seu tumor na garganta em 2015, um ano após o diagnóstico. Antes disso, ele usava cachecóis e outros acessórios para esconder o inchaço na região afetada. A pedido de seus filhos, o ator se submeteu a uma cirurgia em 2020. Após o procedimento, ele passou por uma traqueostomia, que consiste na colocação de um tubo entre a traqueia e os pulmões.
Como resultado, Kilmer perdeu a voz. Em 2022, ele participou de “Top Gun: Maverick”, mas sua voz foi recriada por inteligência artificial. O ator falou sobre as dificuldades que enfrentou após o câncer em seu documentário, “Val”. Nos últimos anos, ele passou a se alimentar com uma sonda.
Apesar das sequelas do câncer, Mercedes, filha de Val Kilmer, afirmou que seu pai faleceu devido a uma pneumonia e que o câncer de garganta havia sido superado.