O deputado Paulo Magalhães (PSD-BA), relator do processo contra o parlamentar Glauber Braga (PSOL-RJ) no Conselho de Ética da Câmara, recomendou, nesta quarta-feira (2), a cassação do mandato do congressista.
De acordo com o parecer apresentado, Braga teria cometido conduta inadequada ao expulsar, com chutes, um integrante do Movimento Brasil Livre (MBL) do interior da Casa, em abril de 2024.
“Com base nas evidências reunidas no processo, fica claro que o representado [deputado Glauber Braga] ultrapassou os limites do seu mandato, abusando das prerrogativas parlamentares. Diante disso, é necessário reconhecer que suas ações configuram conduta passível de punição, sendo apropriada, neste caso, a perda do mandato”, argumentou Magalhães.
A recomendação do relator ainda será submetida à votação pelos membros do Conselho de Ética, que podem acatar ou rejeitar a sugestão.
A perda do mandato de Glauber Braga, no entanto, só será efetivada caso a decisão do Conselho seja posteriormente aprovada pelo plenário da Câmara, com o voto favorável de pelo menos 257 dos 513 deputados.
O Caso
O processo contra o deputado do PSOL teve início em abril de 2024, poucos dias após o incidente envolvendo o militante do MBL.
No dia 16 daquele mês, Glauber se envolveu em confrontos físicos com Gabriel Costenaro, integrante do MBL, e o deputado Kim Kataguiri (União-SP), um dos fundadores do movimento.
Inicialmente, Braga e Costenaro trocaram palavras acaloradas em um dos anexos da Câmara. A discussão escalou para agressões físicas, incluindo empurrões e chutes desferidos pelo parlamentar contra o militante, com o objetivo de expulsá-lo das dependências da Casa.
🎥 Glauber Braga chama Kim Kataguiri de “defensor do nazismo” e seguranças separam briga pic.twitter.com/BL8NBTtPEJ
— UOL Notícias (@UOLNoticias) April 16, 2024
A confusão continuou do lado de fora do prédio e exigiu a intervenção de policiais legislativos, que levaram ambos para prestar depoimento no Departamento de Polícia Legislativa (Depol).
Na unidade, Glauber Braga ainda discutiu com Kim Kataguiri, que havia ido ao local acompanhar o colega do MBL.
Imagens registradas mostram um momento em que Glauber segura e pressiona as mãos de Kataguiri, o que o partido Novo — responsável pela denúncia contra o parlamentar no Conselho de Ética — também classificou como agressão física. Além disso, os dois trocaram empurrões.