Sou mulher. E como mulher, não posso me calar diante da dor de Raphaella Brilhante, médica e influenciadora que, apenas dois meses após o casamento, encontrou já na lua de mel não o início de uma vida de afeto, mas o começo de um ciclo de agressões. O agressor? O próprio esposo, o cantor João Lima.
Esse caso nos choca não apenas pela brutalidade, mas porque expõe uma verdade que muitos ainda tentam negar: a violência contra a mulher não escolhe classe social, profissão ou status. Estamos falando de uma médica, uma influenciadora digital, e de um cantor. Pessoas públicas, conhecidas, que vivem sob os holofotes. E, ainda assim, a violência doméstica se infiltrou em suas vidas. Isso prova que nenhuma de nós está imune.
Homens inseguros, frustrados, pequenos no caráter e na autoestima, acreditam que podem compensar sua mediocridade usando a força física contra aquelas que o amam. Querem reduzir suas companheiras, torná-las menores, como se isso diminuísse a própria sensação de pequenez. Mas não há nada mais covarde do que levantar a mão contra uma mulher.
A dor de Raphaella é a dor de todas nós. O tapa que atinge uma, atinge todas. O silêncio que sufoca uma, sufoca todas. Até quando vamos sofrer violência apenas por sermos quem somos? Até quando vamos enfrentar agressões vindas de quem jurou nos amar e respeitar?
Como mulher, sinto revolta. Sinto indignação. Mas também sinto a responsabilidade de não calar. Cada denúncia é um ato de coragem que precisa ser apoiado. Cada voz que se levanta contra a violência é um grito coletivo por justiça.
Não podemos aceitar que a violência contra a mulher seja naturalizada, relativizada ou esquecida. É preciso punir os agressores, proteger as vítimas e, sobretudo, transformar a cultura que ainda insiste em colocar mulheres em posição de submissão.
Raphaella não está sozinha. Nenhuma de nós está. Porque quando uma mulher é violentada, todas nós somos violentadas. E quando uma mulher se levanta, todas nós nos levantamos.
Thatiane Sonally


