O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que pretende esgotar “todas as palavras do dicionário” em negociação comercial com os Estados Unidos antes de partir para um embate na Organização Mundial do Comércio (OMC).
“Antes de fazer a briga da reciprocidade ou de fazer a briga na OMC, a gente quer gastar todas as palavras que estão no nosso dicionário para fazer um livre comércio com os Estados Unidos”, disse Lula em entrevista na última agenda no Vietnã, neste sábado (29/3).
O petista voltou a dizer que o presidente americano, Donald Trump, não é “o xerife do mundo”. “É com muita tristeza que eu vejo os Estados Unidos fazer com que o Trump pareça o xerife do mundo. Ele não foi eleito para isso, ele foi eleito para governar os Estados Unidos”.
Impacto do tarifaço de Trump no Brasil
- Desde o último dia 12, estão em vigor as tarifas de 25% sobre as importações de aço e alumínio nos EUA. A taxa foi imposta pelo presidente Donald Trump logo após ele assumir o mandato.
- A medida afeta diretamente o Brasil, que é um dos principais exportadores do produto para os norte-americanos.
- Em fevereiro, Trump também mencionou o etanol brasileiro ao decretar a política de reciprocidade de tarifas. “A tarifa dos EUA sobre o etanol é de apenas 2,5%. No entanto, o Brasil cobra uma tarifa de 18% sobre as exportações de etanol dos EUA”, disse o americano.
- O governo brasileiro argumentou à administração de Trump que as medidas podem “comprometer gravemente” as relações comerciais entre os países.
Em seguida, Lula disse que não terá problema nenhum em ligar para Trump, quando sentir necessidade de conversar com ele, e afirmou que colocará as divergências ideológicas entre os dois de lado.
“Na hora em que eu sentir necessidade de conversar com o presidente Trump, eu não terei nenhum problema de ligar para ele”, disse.
“Na hora que ele achar que tem interesse de conversar comigo, eu espero que ele não tenha nenhum problema de ligar para mim. Não é porque nós temos divergência ideológica que dois presidentes não possam conversar, até porque no exercício da Presidência, como chefe de Estado, a gente não coloca nossas questões ideológicas na mesa, a gente coloca os interesses do Estado”, reforçou Lula.
Tarifaço sobre importação de carros
Na última quarta-feira (26/3), em novo tarifaço, o presidente americano anunciou alíquota de 25% sobre a importação de carros não fabricados no país norte-americano.
Em entrevista à imprensa, no Japão, Lula criticou a medida, que vai afetar montadoras japonesas. Além disso, reforçou que acionará a Organização Mundial do Comércio e prometeu taxar produtos americanos caso as ações afetem o Brasil.
“Eu não sei o que o Japão vai fazer. No caso do Brasil, nós vamos recorrer à OMC e, se não tiver resultado, vamos utilizar os instrumentos que nós temos, que é a reciprocidade, e taxar os produtos americanos. É isso que nós vamos fazer. Espero que o Japão faça o mesmo”, completou.
Guerra Rússia x Ucrânia
Lula também comentou a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, dizendo que o Brasil fez “crítica contundente” à invasão territorial da Rússia na Ucrânia e ao mesmo tempo se colocou à disposição com a China para negociação da paz. Ele voltou a defender que é preciso colocar o russo Vladimir Putin junto com o ucraniano Volodymyr Zelensky na mesa.
Voltando a Trump, Lula elogiou a postura dele de intermediar o conflito. “Veja como eu sou um rapaz de bom senso. Eu poderia ser radical contra o Trump, mas na medida que o Trump toma decisão de discutir a paz entre Rússia e Ucrânia, que o Biden deveria ter tomado, eu sou obrigado a dizer que, nesse aspecto, o Trump está no caminho certo”, afirmou Lula.
O presidente brasileiro ainda adiantou que deverá ter telefonema com Zelensky na próxima semana e pretende ir à Rússia em 9 de maio para evento alusivo aos 80 anos da vitória da Segunda Guerra Mundial.