Ninguém imagina que o mais desatinado dirigente do Athletico Paranaense possa pedir que o time participe das bets sobre quem vencerá o Brasileirão da Série A. Mesmo que pedisse, nenhuma bet, nem as clandestinas, incluiria o Athletico nas apostas.
Não incluiriam porque o time paranaense, apesar do histórico na série A e do título de campeão brasileiro de 2001, joga na série B. O Athletico foi rebaixado no jogo e não faz parte, pelo menos esse ano, da elite do futebol brasileiro.
Perdeu e foi punido como perdedor. Mas não há, além da derrota, nenhuma acusação de delito contra o Athletico, que tentará voltar este ano ao primeiro escalão.
Pois Bolsonaro perdeu, tentou esculhambar com o jogo e tirar a taça do vencedor. Foi empurrado para a quinta divisão da política por ter sido derrotado e tentado um golpe. É um perdedor e delinquente da política.
Esse Bolsonaro fora do jogo eleitoral por decisão da Justiça, e perto de ser condenado como chefe da torcida organizada armada da extrema direita, está na grade das bets dos Institutos de pesquisa para 2026.
As bets da política cometem contra duas altas Cortes da Justiça do país uma afronta que as bets do futebol não cometeriam contra a Justiça Desportiva. O TSE tirou Bolsonaro do jogo como delinquente eleitoral, e o STF o transformou em réu como criminoso.
Bolsonaro só aparece nas pesquisas porque é preciso confrontá-lo com Lula, e não porque possa se viabilizar como candidato. Porque é preciso inviabilizar a chance de mais um mandato para o presidente.
As pesquisas se esforçam para tumultuar e atiçar a cachorrada da extrema direita não só contra Lula e o governo, mas contra o TSE e o STF e em especial contra Alexandre de Moraes. E tem gente da esquerda que compartilha, como tio do zap distraído, análises dos donos dos institutos sobre o produto estragado que vendem.
Um desses donos, metido a cientista político, disse que Lula perdeu a confiança dos brasileiros e viralizou nas redes das esquerdas. Foi citado até em artigos de líderes do PT como farol para o partido.
E há quem defenda nas esquerdas, por pretensa esperteza de jogador, que o melhor é fingir que Bolsonaro continua no jogo. Mais como autoengano do que como estratégia, para que outros nomes fiquem em segundo plano.
E há ainda quem tente comparar, uns por cretinice, outros por ignorância, o Bolsonaro de hoje ao Lula de 2018. Não há comparação. Mas há comparação possível entre o cerco a Janja e as abordagens suaves em relação a Michelle, quando ela esteve no poder.
Michelle era apresentada nas pesquisas como protagonista da política e candidata ao que quisesse ser, do Senado à presidência. As pesquisas sobre Janja tratam das viagens ao Exterior e do que seriam intromissões em questões de governo.
Um instituto pode alegar que, se não fizer o que os outros fazem, estará perdendo alcance. Por isso é preciso participar do jogo sujo em que empresas que deveriam ajudar na compreensão de cenários contribuem para mais confusão.
Os institutos de pesquisa disputam atenções como quem disputa audiência, a qualquer custo, ou como traficantes que brigam pelo ponto, porque até as pretensas sondagens eleitorais passaram a explicitar engajamento aos interesses da direita. Sem qualquer pudor.
Pesquisar qualquer coisa é preciso, não para mostrar retratos do presente e oferecer sinais do que que pode acontecer em 2026, mas para manter o fascismo vivo até a cremação política de Bolsonaro.