O deputado paraibano Hugo Motta (Republicanos), presidente da Câmara Federal, constatou em Brasília que é intensa a pressão tanto dos bolsonaristas como da esquerda em torno da colocação em pauta no plenário do projeto de lei que dispõe sobre concessão de anistia aos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro na Capital federal. Motta, que retornou do Japão após integrar comitiva do presidente Lula, tenta um consenso sobre a urgência da proposta de anistia e decidiu priorizar a liberação de emendas para acalmar os ânimos dos parlamentares. O próprio ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que seria beneficiado pela anistia, anunciou a intenção de procurar Motta para cobrar supostos compromissos assumidos com representantes da direita quando da sua eleição à presidência da Câmara.
Em discurso, ontem, Hugo Motta afirmou ser “hora do equilíbrio” e de agir com “desprendimento político”, sem o que ele chamou de “falsos heroísmos”. As declarações foram dadas no dia em que a bancada do PL na Casa Baixa sinalizou que fará obstrução total enquanto Motta não pautar a urgência, que acelera a tramitação, do projeto de lei que anistia condenados pelo 8 de janeiro. “Não é hora de seguirmos ninguém, mas de agirmos com desprendimento político, sem qualquer tipo de mesquinhez, e de agirmos com altivez, mas sem falsos heroísmos. É hora de equilíbrio, de pragmatismo e de buscarmos acertar e não nos desviarmos para o erro fácil. O povo espera de nós responsabilidade e lealdade e iremos cumprir o nosso dever”, salientou o parlamentar paraibano.
Motta esteve reunido com o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ) para discutir o tema e informou que em busca do consenso dialogaria com líderes de outros partidos mas destacou que a prioridade é a liberação de emendas às legendas. Ao abrir a Ordem do Dia, Motta também fez referência ao projeto de lei para autorizar a adoção de reciprocidade tarifária e ambiental no comércio do Brasil com outros países, que ganhou força após as últimas medidas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ampliou para 25% a faixa de importação de aço e alumínio brasileiros. O texto foi aprovado no Senado com o apoio do governo e da oposição ontem e o presidente da Câmara revelou ao “Poder360” que a proposta será votada hoje na Casa Baixa.
– Este episódio entre os Estados Unidos e o Brasil deve nos ensinar, definitivamente, que nas horas mais importantes não existe um Brasil de esquerda ou um Brasil de direita. Existe apenas o povo brasileiro. E nós, representantes do povo, temos de ter a capacidade de defender o povo acima de todas as diferenças – advertiu Motta. Declarou ainda que “ninguém é dono do povo e ninguém pode falar pelo povo”. O PL do ex-presidente Jair Bolsonaro é o partido mais interessado pelo projeto de anistia. Na semana anterior, a legenda fez uma obstrução parcial em retaliação à aceitação da denúncia da PGR – Procuradoria Geral da República pelo Supremo Tribunal Federal contra Bolsonaro e outros sete, que viraram réus por tentativa de golpe de Estado. A oposição tem pressionado Hugo Motta a pautar o texto desde o início do ano legislativo em fevereiro. Sóstenes Cavalcanti afirma que outros oito líderes de partidos já se comprometeram a apoiar o texto.
Nonato Guedes