Uma cena registrada no Sertão da Paraíba escancarou a dura situação enfrentada pelos trabalhadores da Segurança Pública no estado. No município de Catolé do Rocha, um policial civil, já apto à aposentadoria pelo tempo de serviço, foi visto chegando à delegacia apoiado em muletas para cumprir sua jornada de trabalho. A imagem revela um cenário preocupante: mesmo com limitações físicas e idade avançada, o profissional segue em atividade por necessidade financeira, buscando complementar a renda para garantir a própria subsistência.
Embora a Polícia Civil da Paraíba seja frequentemente reconhecida, ao longo dos anos, como uma das mais eficientes do Norte e Nordeste, os servidores denunciam uma contradição gritante. Atualmente, a categoria afirma receber o menor salário do país quando comparada às demais polícias civis brasileiras.
Além disso, a diferença salarial dentro das forças de segurança também provoca revolta. Hoje, um soldado recém-ingresso na carreira recebe vencimentos superiores aos de Investigadores e Escrivães — cargos que exigem formação de nível superior e exercem funções essenciais à persecução penal.
A insatisfação ganhou as ruas na última sexta-feira (06). Representantes da Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal, Corpo de Bombeiros e agentes socioeducativos se reuniram em manifestação em frente à Granja do Governador. Até agora, não houve qualquer posicionamento oficial do Governo do Estado sobre as reivindicações apresentadas.
Segundo as entidades representativas, o tratamento dispensado pelo Executivo é desigual. Enquanto Delegados foram contemplados em dezembro com um reajuste de aproximadamente R$ 10.000,00 por meio de acordo judicial, a classe investigativa, apesar de possuir ação semelhante, segue sem qualquer proposta da Procuradoria-Geral do Estado, prolongando o impasse.
Diante do que classificam como desrespeito e descaso, a Associação dos Policiais Civis da Paraíba anunciou medidas mais rígidas a partir de 1º de março. Entre elas estão a devolução dos plantões extras, o que pode levar ao fechamento de delegacias por falta de efetivo, e a deflagração da Operação Polícia Legal, na qual os policiais atuarão estritamente dentro das atribuições legais, recusando o recebimento de ocorrências sem a presença física do Delegado.
Para a entidade, o episódio simboliza um colapso moral e institucional. É inadmissível que um servidor que dedicou toda a sua vida ao serviço público seja obrigado a trabalhar doente e exausto porque o salário não garante sequer o básico para viver.

