O advogado Celso Vilardi, que defende o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), chocou o público ao revelar que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, praticou “dumping processual” — quando há um volume grande e desordenado de documentos nos autos –, afirmou o comentarista Caio Coppolla no programa O Grande Debate desta terça-feira (25).
“[O procurador] sobrecarregou a defesa com mais de 45 mil documentos, distribuídos em oito petições, algo que é humanamente impossível de ser lido, interpretado e concatenado em um prazo tão curto para a apresentação da defesa”, opinou.
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) começou, na manhã desta terça-feira (25), o julgamento da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Bolsonaro e outras sete pessoas por tentativa de golpe de Estado em 2022.
A análise será retomada na quarta-feira (26) com a votação sobre o recebimento ou a rejeição da denúncia.
“Além de inundar os advogados com excesso de documentos e arquivos inúteis, a PGR e o STF se recusam a compartilhar documentos e arquivos essenciais à defesa. Tudo que o dr. Vilardi pede é que o STF libere a íntegra dos depoimentos, as mídias completas, que forneçam o contexto em que as declarações foram feitas. Hoje, os arquivos estão todos picotados. Como disse o advogado: ‘Este é o recorte da acusação, a defesa tem direito a fazer seu próprio recorte’”, continuou.
“Outro argumento preliminar da defesa de Jair Bolsonaro diz respeito ao testemunho de Mauro Cid, o delator que chegou a desabafar para pessoas próximas que estava sendo coagido e ameaçado para alterar seu depoimento na tentativa de incriminar Bolsonaro”, defendeu.
Segundo a própria Polícia Federal, Mauro Cid ‘mentiu, se omitiu e se contradisse’, mas foi preso novamente, e aí se corrigiu quando foi confrontado com o conjunto de indícios. Ou seja, nós estamos diante de uma inversão perversa do instituto da delação premiada”, finalizou.