A megaoperação contra o PCC pode ser vista de duas perspectivas: 1) por um lado, é muito louvável que vários agentes públicos, trabalhando de forma coordenada, tenham sido capazes de identificar os tentáculos do crime organizado e, de alguma forma, atacá-los.
Essa megaoperação pode se tornar uma das últimas oportunidades para um desmonte estrutural do PCC. Se o Estado brasileiro passasse a operar, de forma coordenada, para atacar as fontes de financiamento do crime organizado, talvez conflitos internos e pressões externas desestruturassem o PCC. Mas, o mais provável é que o PCC se reinvente e continue de onde estava.
2) Por outro lado, as cifras bilionárias, a extensão e a diversificação das atividades do crime organizado – que abrangem cultivo de cana, posto de combustível, fundos de investimentos e estrutura de exportação de drogas – indicam que, talvez, seja tarde demais para o Estado brasileiro segurar a expansão das organizações criminosas.
São décadas de leniência com o crime: laxismo penal, cultura de exaltação de criminosos, corrupção de autoridades públicas, etc. A megaoperação contra o PCC pode, em poucos meses, em meio a dezenas de processos judiciais e burocracias, se tornar mais um alarde para inglês ver.
O apóstolo Paulo disse que “se alguém pratica o mal, deveria ter medo, pois o poder político não porta a espada sem motivo, já que é servo de Deus e agente da justiça” (Rm 13:4). O contrário também é verdade: se quem pratica o mal não teme a espada do poder político, o próprio poder político se torna agente da injustiça.
Aqui está o risco: se o Brasil não se voltar contra o PCC, pode tornar-se totalmente do PCC, um narcoestado, porque a dura verdade é que parte do território, dos negócios e do dinheiro já é do PCC.
Anderson Paz