Líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE) afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisa estar preparado para enfrentar qualquer adversário da direita em 2026.
Em entrevista ao Metrópoles nesta quarta-feira (26/5), logo após Jair Bolsonaro (PL) se tornar réu no Supremo Tribunal Federal (STF), o deputado defendeu a ampliação da aliança em torno do PT para garantir a reeleição em 2026.
Questionado se o governo enxerga os governadores Ronaldo Caiado (União-GO) ou Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) como substitutos do ex-presidente em 2026, Guimarães respondeu: “Bolsonaro não será candidato, não sei quem será. A ultradireita vai apresentar-se como uma alternativa e o PT precisa estar preparado para qualquer disputa, seja um nome ou outro. Eles estão numa confusão, a família quer ter um candidato”.
O representante do Planalto no Congresso completou: “O fato é que quem quer ganhar, como nós queremos com Lula, não escolhe adversário. Vamos fazer disputa, entregas este ano, aperfeiçoar a relação com os aliados e construir uma grande frente ampla para 2026, para vencermos a ultradireita e a direita que não sabe conviver com a democracia”.
Em junho de 2023, Bolsonaro tornou-se inelegível até 2030, por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Mesmo assim, o ex-presidente insiste em afirmar que será o candidato da direita, acreditando numa eventual reversão da sua situação eleitoral. Nesse sentido, ele se distanciou de Caiado, que lançou pré-candidatura ao Planalto, e impede que Tarcísio, seu ex-ministro, se lance como alternativa.
Bolsonaro réu é “pedagógico”
Para José Guimarães, a aceitação da denúncia no STF e a abertura da ação penal contra o ex-presidente servirá para evitar eventuais ataques à democracia no futuro.
“A democracia venceu. O relatório do PGR e o relator expuseram fatos muito graves, que atestam não só a tentativa no abstrato, mas ações objetivas que consubstanciam a tentativa de crimes contra o Estado Democrático de Direito. Bolsonaro é vítima de tudo que ele coordenou e patrocinou para se perpetuar no poder. Portanto, o julgamento é histórico e sinaliza que ninguém ouse ameaçar a democracia. É um sinal pedagógico”, disse.