Na tarde desta quarta-feira (2), Dia Mundial de Conscientização do Autismo, a Câmara Municipal de Conde foi palco de uma Audiência Pública para debater os direitos das pessoas autistas, com foco na educação, saúde e inclusão. O encontro contou com a presença de vereadores, mães atípicas, representantes de associações e do deputado estadual Walber Virgolino, além de um vídeo de apoio enviado pelo senador Efraim Filho. Hosana de Freitas, da Associação de Pessoas Autistas, também participou das discussões.
Apesar da relevância do tema, nenhum representante da prefeitura compareceu à audiência, o que gerou indignação entre os presentes.
“Fomos até a prefeitura para falar sobre a questão dos cuidadores, estivemos no Ministério Público e hoje estamos aqui novamente, ainda mais em um dia tão importante como esse. Estamos discutindo direitos básicos da pessoa autista, e mesmo com tanto dinheiro disponível, por que tirar justamente dos autistas?” questionou uma das participantes.
O debate destacou a luta das mães atípicas por uma educação inclusiva e um atendimento de saúde adequado para seus filhos. Alessandra, mãe de uma criança autista, relatou as dificuldades enfrentadas para conseguir atendimento médico.
“O movimento que fizemos não é apenas pelos direitos das nossas crianças na escola, mas também pela saúde, que está precária. Muitas vezes, vamos ao posto de saúde em busca de um neurologista ou psiquiatra para nossos filhos, mas não há profissionais disponíveis. Quando conseguimos atendimento, somos encaminhados para João Pessoa. Nossa luta é para que nossos filhos sejam incluídos não só nas escolas, mas na sociedade como um todo.”
Sabrina, outra mãe atípica presente, ressaltou que a inclusão vai além da presença de cuidadores em sala de aula.
“Nossa luta não é apenas para garantir cuidadores. Muitas crianças precisam de professores auxiliares, pois, embora não tenham deficiência intelectual, não recebem as oportunidades adequadas para aprender. O problema não está na capacidade das crianças, mas na falta de estrutura e acesso à educação de qualidade.”
O presidente da Câmara, Pessoa, lamentou a ausência da prefeitura e garantiu que as medidas cabíveis serão tomadas após a audiência.
“Mais uma vez, não houve interesse do poder público municipal em participar e enriquecer o debate. Este deveria ser um dia de celebração, mas nos vemos aqui reivindicando sozinhos. Não vamos parar!”
O evento reforçou a urgência de políticas públicas voltadas para a inclusão e o bem-estar das pessoas autistas, evidenciando que a luta das famílias por direitos fundamentais continua.