A vida é um sopro. Foi um amigo que partiu. Tão rápido. Num piscar de olhos. Nem se despediu. Não deu tempo de dizer adeus. Simplesmente foi. Para nunca mais voltar. Terminou a sua jornada. Como uma flor que enfeita o jardim, e que desabrocha durante a primavera, as suas pétalas caíram. É a primavera da vida. Tão curta. Tão passageira. Efémera. Mas tão valiosa. Por isso é preciso valorizar cada momento. Sorrir. Viver.
A morte repentina do amigo Astrogildo Pereira nos pegou todos de surpresa. Foi chocante. Afinal, ele não demonstrava estar doente. Não havia sintomas visíveis. Mas estava. A doença escondida. A pior de todas. Traiçoeira. Ninguém esperava. De repente, o coração do amigo parou de pulsar. E aquele sorriso desapareceu. A alegria contagiante deu lugar ao silêncio. Tristeza. Dor. E quem poderia imaginar que o destino final estava tão próximo. No seu local de trabalho, agora só resta um vazio imenso. Um silêncio.
Astrogildo sem dúvida foi um ser humano incrível. Um amigo maravilhoso. Grande profissional. Colega de trabalho extraordinário. O seu legado não será esquecido. As inúmeras homenagens feitas nas redes sociais, no seu velório e realizadas durante o cortejo fúnebre, traduziram o quanto ele era querido. Quem não sentiu um pouco a sua partida. Uma perda que deixou uma lacuna impreenchível.
As inúmeras coroas de flores depositadas ao lado do seu caixão, onde o corpo descansava, mostravam a beleza da vida. A morte inesperada do amigo, nos obriga a fazer algumas reflexões sobre o valor da vida. Algumas inevitáveis.
A primeira delas diz respeito ao valor imenso da vida. Isso mesmo, sorrir, abraçar, acolher, servir os amigos, parentes, e até desconhecidos em vida. Porque pode não haver tempo para a despedida. Como disse sabiamente o poeta na bela canção “Quando eu me chamar saudade”, eternizada na voz marcante de Nelson Gonçalves, as homenagens devem ser feitas preferencialmente em vida. Depois, só restam preces e nada mais. Certamente, depois da partida alguns vão chorar. Sentir. Mas depois, tudo vai passar. Ficará apenas as lembranças. E a saudade.
Diante de perdas repentinas, certamente podemos perguntar sobre o que na verdade é a vida? O poeta Gonzaguinha fez a mesma pergunta.”O Que é o Que é? A vida, antes de tudo, é uma dávida. Um dom precioso. Uma maravilha dada gratuitamente por Deus. O próprio Gonzaguinha na eterna canção, tentou dar a resposta.
Ela é a batida de um coração? Ela é uma doce ilusão? Ela é alegria ou lamento? Sem dúvida, a vida é um sopro do criador numa atitude repleta de amor.
Outra reflexão é inevitável. E essa vem dos cardiologistas. É preciso estar atento aos alertas do corpo aos gatilhos da mente como bem enfatizou Augusto Cury. Principalmente neste mundo tão frenético, estressante onde a correria é grande e consome nossas forças e energias. Qualquer sinal de dor, é preciso buscar o socorro médico. Nenhum alerta deve ser negligenciado. É prudente investigar enquanto é tempo. Investigar tudo. O nosso amigo Astrogildo não tinha uma vida sedentária. Tinha uma vida ativa. Praticava exercícios como o ciclismo. Mesmo assim, foi surpreendido.
Entre o amanhecer, o pôr do sol e o desconhecido que vislumbra por traz do horizonte, precisamos estar sempre preparados. É outo alerta. Vigilantes. Isso significa que todos os dias precisamos amar mais e fazer o bem sempre.
Como vigia que aguarda o seu patrão voltar, precisamos estar com as nossas lâmpadas acesas, seja na manhã, tarde, noite ou madrugada. Isso significa valorizar cada momento da vida e do semelhante. Amar. Como diz outra canção, “Por isso ame mais, abrace mais, pois não sabemos quanto tempo temos para respirar”. Vale a pena lembrar que a vida é curta demais. Por isso, a esperança na ressurreição e na vida eterna, nos conforta. Afinal, o próximo Jesus afirmou. “Eu sou a ressurreição e a vida”.
Voltando para o significado da vida. Viver e não ter a vergonha de ser feliz. Cantar e cantar e cantar. A beleza de ser um eterno aprendiz. Descanse em paz amigo.
Severino Lopes


