O deputado estadual Sargento Neto comentou, em entrevista ao programa Ô Paraíba Boa, da rádio FM 100,5, nesta quarta-feira (11), sobre o avanço das facções criminosas na Paraíba, criticou a política de segurança pública e voltou a falar sobre a polêmica envolvendo os votos de presos nas eleições presidenciais.
Durante a entrevista, o parlamentar afirmou que os dados indicam que a maioria dos votos registrados em presídios foi destinada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, seu objetivo era esclarecer o resultado das votações realizadas nas unidades prisionais.
“O que eu quis informar à sociedade é que, mesmo entre os presos provisórios, 94% (88 votos) daqueles que votaram dentro dos presídios escolheram Lula. Na prática, a maior parte do eleitorado presidiário é de Lula”, explicou.
Nas Eleições Gerais de 2022 na Paraíba, 115 presos provisórios e jovens internos votaram nas seções eleitorais instaladas em quatro unidades prisionais do estado (Penitenciária Padrão Masculina de Campina Grande, Penitenciária Padrão de Santa Rita, Centro Educacional do Jovem em João Pessoa e Cadeia Pública de Coremas), segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral e do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba. Dos 115 votos, 88 optaram por Lula.
Ou seja, os 115 presos provisórios que votaram na Paraíba, distribuídos em algumas unidades prisionais do estado representa cerca de 0,005% do eleitorado paraibano, que ultrapassa 2,1 milhões de eleitores, mostrando que, embora os votos de detentos possam gerar manchetes, seu peso real nas eleições é estatisticamente irrelevante.
Questionado sobre a repercussão da declaração, Sargento Neto afirmou que suas palavras foram retiradas de contexto. “Era para ter sido considerado todo o contexto da minha fala. O que eu disse é que a maioria do eleitorado dentro dos presídios votou em Lula”, reforçou.
O deputado também declarou que discorda da participação de detentos no processo eleitoral, mesmo reconhecendo que a legislação e decisões judiciais permitem que presos provisórios votem. “É uma decisão judicial, mas, pessoalmente, acredito que não seja necessária. Existe todo um gasto público para levar urnas para os presídios”, disse.
Além do tema eleitoral, Sargento Neto demonstrou preocupação com o avanço de facções criminosas em cidades do interior paraibano, mencionando conflitos entre grupos em áreas vulneráveis. Como exemplo, citou a cidade de Itabaiana, onde, segundo ele, moradores teriam sido obrigados a deixar suas casas em regiões dominadas por facções.
“O que esperamos é combate direto e presença constante do Estado. Sem isso, a situação só tende a piorar”, alertou.
O parlamentar elogiou o trabalho das forças de segurança, especialmente da Polícia Militar, destacando a atuação da comandante regional, coronel Viviane. Ele também ressaltou que muitas pessoas têm medo de denunciar crimes por receio de represálias, o que contribui para o fortalecimento das facções em diferentes regiões da Paraíba.
Redação

