O ex-assessor especial do ex-presidente Bolsonaro, Filipe Martins, foi preso em casa nesta sexta-feira (02) em Ponta Grossa (PR), por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A ação foi cumprida pela Polícia Federal.
Martins havia sido condenado em 16 de dezembro pela Primeira Turma do STF a 21 anos de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado. Desde 27 de dezembro, ele cumpria prisão domiciliar, proibido de usar redes sociais. Segundo o STF, o ex-assessor descumpriu a medida cautelar ao utilizar o LinkedIn para interagir com outros perfis.
O advogado Jeffrey Chiquini, que atua na defesa de Martins, afirmou que o cliente vinha cumprindo todas as determinações judiciais há mais de 600 dias e nunca havia recebido advertência. Para Chiquini, a prisão representa perseguição política.
Nascido em Sorocaba (SP) Filipe é formado em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB). Ele foi nomeado em janeiro de 2019 como assessor especial para assuntos internacionais da Presidência. Atuava como interlocutor entre Bolsonaro e o Ministério das Relações Exteriores.
Ligado ao escritor Olavo de Carvalho e próximo aos filhos de Bolsonaro, Martins integrava a chamada “ala ideológica” do governo. Ele também se apresentava nas redes sociais como professor e analista político, mas não fazia publicações desde outubro de 2022.
De acordo com a investigação da Polícia Federal, Martins foi apontado pelo ex-ajudante de ordens Mauro Cid como responsável por entregar a Bolsonaro a minuta de um documento que previa a prisão de Alexandre de Moraes e a convocação de novas eleições, medidas sem respaldo constitucional e que configurariam golpe de Estado.
Em 2021, Martins foi denunciado pelo Ministério Público Federal por gesto considerado racista durante uma sessão no Senado. O sinal, associado a grupos extremistas, foi classificado pela Liga Antidifamação (ADL) como expressão da supremacia branca.
No mesmo ano, a PF apontou que uma advogada tentou ocultar sua presença em depoimentos de empresários ligados à família Bolsonaro, no inquérito sobre a chamada “milícia digital”.
Martins também defendia publicamente o alinhamento com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegando a publicar fotos ao lado dele e usar expressões ligadas à extrema-direita internacional.
Com a prisão determinada por Alexandre de Moraes, Filipe Martins inicia o cumprimento da pena de 21 anos em regime fechado. A defesa promete recorrer e insiste que não houve descumprimento das medidas cautelares impostas pelo STF.
PB Agora


