Durante 25 anos, a Venezuela viveu sob o sufoco de uma ditadura disfarçada de democracia. Foram décadas de dor, medo e humilhação impostas a um povo que jamais perdeu sua dignidade. Essa luta não ficou restrita às fronteiras venezuelanas; ela atingiu irmãos em toda a América Latina.
Milhões de filhos daquela terra foram desterrados, forçados a abandonar tudo o que possuíam, casas, bens, histórias e memórias. Mas não apenas isso: perderam o direito mais profundo e humano de todos, respirar o ar da sua pátria e pisar o chão que lhes pertence por herança.
Foram mais de sete milhões de venezuelanos espalhados pelo mundo. Crianças, adolescentes, jovens e adultos empurrados para o exílio pela fome, pela perseguição e pela opressão. Um êxodo provocado por mãos carrascas que governaram com crueldade, mentira e violência institucionalizada.
Agora, porém, um novo espírito começa a nascer.
Desde as primeiras horas do sábado, 3 de janeiro de 2026, um grito ecoou pelas ruas de Caracas e pelas demais províncias do país, um grito que saiu de gargantas feridas, mas vivas, de um povo resiliente:
“Venezuela Livre!”
O carrasco, finalmente, começa a enfrentar o peso da justiça. O tempo da impunidade chega ao fim. Nem milícias internas, nem alianças ideológicas, nem aparatos de repressão conseguiram sustentá-lo indefinidamente. A verdade sempre alcança.
Creio que, para alguns líderes da esquerda latino-americana, teria sido mais conveniente que ele tivesse fugido para algum país alinhado à sua filosofia política ou até que tivesse sido eliminado nesse processo. Vivo, porém, sob custódia internacional, ele se torna um risco: pode revelar nomes, pactos e cumplicidades que hoje mantêm muitos acordados durante a madrugada. Para esses líderes, as noites tendem a ser longas e inquietas.
Lamento profundamente que o nosso presidente, Lula da Silva, o tenha recebido em 2023, em Brasília, com tapete vermelho, um gesto que afrontou milhões de brasileiros que conhecem, de perto ou de longe, o sofrimento do povo venezuelano. Se agora desejar socorrê-lo, que o faça. O tempo da condescendência acabou; a hora é da justiça.
Nem mesmo milícias estrangeiras ou forças internas foram capazes de livrá-lo. O que o aguarda agora não é perseguição, mas responsabilização. A verdade não pode mais ser calada.
Venezuela Livre não é apenas um slogan.
É um grito preso na garganta de quem acompanhou essa dor por décadas.
É um clamor que eu, pessoalmente, escolho soltar com fé, esperança e senso de justiça desde este sábado, 3 de janeiro de 2026.
Elcio Nunes
Cidadão brasileiro


