Roberto Carlos vive uma longa jornada marcada pela entrega total do corpo e da alma, voz, fôlego e pulmões, para levar canções a multidões no Brasil e além de suas fronteiras. Tudo começou aos 9 anos de idade, como registra sua biografia. Hoje, aos 83 anos, somam-se mais de sete décadas espalhando poesia em forma de música, emocionando gerações inteiras de admiradores.
Queiramos ou não, a idade sempre bate à porta. Primeiro de forma sutil; depois, com sinais mais claros: exige mais cuidado, uma alimentação equilibrada e descanso adequado. Até que chega o tempo em que os medicamentos se tornam necessários e, quando a vida foi intensa e agitada como a dele, passamos a depender da orientação de outros.
Ultimamente, em alguns de seus shows, percebe-se certo desgaste no humor diante da plateia. Talvez, se o público fosse majoritariamente formado por quarentões ou pessoas mais maduras, isso fosse mais facilmente compreendido. Porém, hoje, há jovens, adolescentes e até crianças presentes em suas apresentações. Os mais experientes entendem, respeitam e acolhem. Os mais novos, por sua vez, exigem energia, ritmo acelerado, canções como “O Calhambeque”, “Quando” e outras do repertório mais vibrante, para manter acesa a atenção dessa plateia naturalmente inquieta.
Ocorre que 83 anos não são 83 dias. O peso do tempo se manifesta no corpo e na mente de qualquer artista que passou a vida inteira na estrada. A velha guarda entende. A juventude cobra algo mais “caliente”. Mas há limites que nem o talento nem a história conseguem vencer.
A Escritura já nos adverte com sabedoria:
“Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio.” (Salmos 90:12)
O Rei fez o que poucos conseguiram fazer. Agora, ele precisa e merece descansar.
Elcio Nunes
Cidadão Brasileiro


