À constatar pelos números das últimas pesquisas de opinião, o pré-candidato e senador pelo PL, Flávio Bolsonaro, começa a ganhar a forma de uma verdadeira “bola de neve” política. Seu crescimento aparece em trajetória ascendente nas sondagens divulgadas por alguns dos principais institutos de pesquisa do país.
Isso tem relação com o fato de ele carregar o sobrenome do pai, Jair Messias Bolsonaro?
Claro que sim. Porém, isso não explica tudo.
O que também se percebe no momento é um sentimento crescente de insatisfação que, se não for contido, poderá tornar-se quase generalizado entre as classes A, B e boa parte da classe C, esta última sendo justamente a parcela mais sensível da população diante das dificuldades econômicas e sociais.
O quadro que se desenha revela certo cansaço com a atual gestão, acompanhado de uma crescente antipatia de parte do eleitorado. Nesse cenário, não necessariamente precisaria ser Flávio Bolsonaro. Poderia ser Tarcísio de Freitas, Ratinho Júnior, ou qualquer outro nome apontado pelo campo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A insatisfação com a atual gestão provavelmente continuaria produzindo efeito semelhante.
Observa-se também, em Luiz Inácio Lula da Silva, um aspecto de desgaste natural ao final de um terceiro mandato presidencial. Muitos analistas percebem sinais de fadiga política, o que levanta dúvidas sobre a disposição para enfrentar uma nova disputa nacional.
A população, em diversos setores, demonstra desejar algo diferente, mais dinâmico e renovador.
Se essa tendência se confirmar, o chamado “efeito bola de neve” poderá ultrapassar a disputa presidencial e espalhar-se pelos diversos estados do país, influenciando também outras disputas eleitorais. Esse movimento poderá alcançar governos estaduais, cadeiras no Senado, na Câmara dos Deputados e nas assembleias legislativas, criando uma onda política com impacto em várias esferas do poder.
Se essa virada se confirmará no próximo ano, só o tempo dirá. Porém, uma coisa parece clara: quando o sentimento popular começa a se mover, ele pode ganhar força rapidamente como uma bola de neve descendo a montanha.
No fim das contas, a esperança continua sendo, como sempre, a última a morrer.
Elcio Nunes
Cidadão brasileiro

