Depois de entrar e provar das facilidades e delícias do poder, é difícil se acostumar a viver sem as mesmas benesses. Não nos esqueçamos de que estamos em ano eleitoral, época em que muita lama, sem escrúpulos, é lançada ao ventilador. Disputar eleição no Brasil não é tarefa para amadores.
Quem está no poder, comendo a carne e roendo o osso, não o larga facilmente para entregá-lo a um aspirante. Agora é a vez de se lançar um olhar mais severo sobre Marcelo Queiroga, ex-ministro da Saúde do governo Jair Messias Bolsonaro. Médico cardiologista, Queiroga esteve à frente do Ministério da Saúde no período de 23 de março de 2021 a 1º de janeiro de 2023, justamente durante a fase mais crítica e sensível da pandemia da COVID-19.
Ele é um profissional respeitado no estado da Paraíba, com base em João Pessoa. Contudo, a teia política o fisgou e não o largou mais. Hoje, Queiroga é presidente do PL (Partido Liberal) naquele estado. A notícia que corre é que ele recebe um salário mensal do partido, ou seja, custeado indiretamente por recursos de origem pública, no valor de R$ 30.000,00 (trinta mil reais). Um salário gordo, sobretudo quando comparado aos R$ 1.600,00 (mil e seiscentos reais) mensais que grande parte da população recebe, olhando tudo isso de baixo para cima.
Queiroga não desmente. Afirma que recebe o valor de forma justa, pois presta assessoria ao partido na área da saúde. Vá entender um barulho desses.
A verdade é que Marcelo Queiroga é pré-candidato ao Senado Federal, hoje com chances mínimas de êxito. Ainda assim, sua candidatura acaba tirando votos de outros caciques da política paraibana que disputam a mesma vaga. Quem se interessa em pôr um ponto final no lambe-lambe do poder acaba vivendo o suficiente para ver seus dias se esgotarem sem jamais conseguir destrinchar essa complexa rede de emaranhados.
Há poucos dias, levantou-se também um lambe-lambe envolvendo o mais novo ministro do Turismo do governo Lula, um paraibano, filho de um influente e veterano deputado federal. Tudo isso com o claro objetivo de afetar a reeleição de seu pai no próximo 4 de outubro.
Na verdade, a vida política não é lugar para amadores. Se você representa uma ameaça ainda que mínima prepare o lombo, porque a lapada vem forte.
Elcio Nunes
Cidadão brasileiro


