A Câmara Municipal de Areial realizou, na manhã desta terça-feira (06), uma sessão extraordinária para votar um pacote de projetos encaminhados pelo Poder Executivo. Entre eles, o que mais chamou a atenção e gerou polêmica entre a população foi o Projeto de Lei nº 003/2026, que redefine a estrutura organizacional da Prefeitura e amplia significativamente o número de cargos comissionados — aqueles de livre nomeação do gestor.
Com a aprovação da proposta, a atual gestão do Prefeito Carlos Henrique passa a contar com 297 cargos comissionados, número que, somado aos cargos vinculados à Guarda Municipal, ultrapassa a marca de 300 cargos de livre nomeação. O volume supera, inclusive, a quantidade de servidores efetivos do município, que soma 234, segundo dados do Sagres/TCE-PB. Ainda de acordo com o sistema, ao final do ano passado Areial possuía 146 comissionados ativos, 205 contratados e 234 efetivos, e já havia recebido alertas do Tribunal de Contas sobre o excesso de prestadores de serviços, mesmo com um concurso público vigente até agosto de 2025 que não houve nenhuma convocação pela atual gestão.
A comparação com cidades vizinhas também tem alimentado o debate. Pocinhos, que possui mais de 17 mil habitantes e território bem maior 629,521 km², conta atualmente com 131 cargos comissionados, menos da metade do número que Areial — com cerca de 7.100 habitantes e 35.641 km² — passa a ter após a nova lei.
O texto aprovado ainda institui uma gratificação específica de R$ 1.500,00 para um único cargo o de tesoureiro.
Durante a votação, a vereadora Camilla Benjamin criticou o aumento considerado “intolerável”, lembrando que em 2024 a média era de cerca de 100 cargos comissionados. “Em um ano, houve uma ampliação de aproximadamente 70 cargos e agora chega uma nova lei elevando o total para quase 300. Isso foge totalmente ao princípio da razoabilidade, do que é razoável do que é tolerável, do que é correto”, declarou.
O projeto foi aprovado por 4 votos a 2 com 2 vereadores ausentes.


