A crise política em Cabedelo ganhou um novo e grave capítulo. A Procuradoria da República na Paraíba, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO-MPF), apontou que o prefeito André Coutinho tentou descredibilizar a juíza Maria de Fátima Lúcia Ramalho, que conduzia a Operação En Passant — investigação que apura corrupção eleitoral, coação de testemunhas e suposto envolvimento do gestor com o Comando Vermelho.
Segundo o MPF, Coutinho encaminhou documentos à Corregedoria-Geral de Justiça da Paraíba e ao Conselho Nacional de Justiça com informações sobre a vida funcional da magistrada. Entre os materiais, estavam pedidos de providências e processos disciplinares antigos, sem qualquer relação com o caso atual.
O Ministério Público Federal considerou o ato uma tentativa de constrangimento e de criação de suspeição sobre a juíza, o que configuraria uma manobra para gerar desgaste público e interferir no andamento da investigação. Para os procuradores, a atitude representa um gesto de afronta à autoridade judicial e se enquadra como possível abuso de direito de petição e ato atentatório à dignidade da Justiça.
A conduta é considerada incomum e preocupante, especialmente por envolver o envio de informações internas do Judiciário em um processo que investiga a infiltração de facções criminosas na administração municipal, compra de votos e uso indevido da máquina pública.
O caso tramita no Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba, dentro da Ação Penal Eleitoral nº 0600133-93.2025.6.15.0000, movida pelo Ministério Público Federal contra o prefeito e outros aliados acusados de integrar o mesmo esquema.
A Operação En Passant investiga a atuação de uma rede organizada que teria se beneficiado de estruturas públicas para fins eleitorais e financeiros. A tentativa de desmoralizar a juíza é vista pelo MPF como mais um episódio da estratégia de defesa do prefeito, voltada a desviar o foco das acusações graves que enfrenta.
Em um momento de tensão institucional, o episódio serve de alerta: Justiça se respeita. Decisão judicial se cumpre — não se afronta, nem se tenta desmoralizar.
Com Blog do Milton Figueiredo


