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    Irmãs gêmeas são aprovadas em 1º lugar em cursos e universidades federais diferentes: ‘Reflexo da nossa relação’

    adminPor admin7 de fevereiro de 2026Nenhum comentário7 minutos de leitura0 Visualizações
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    Irmãs gêmeas, resultados iguais e futuras profissões diferentes. Com apenas 17 anos, as gêmeas paraibanas Maria Júlia Simões Brasileiro e Maria Isabel Simões Brasileiro passaram em primeiro lugar em cursos e universidades federais diferentes. Naturais de Campina Grande, Agreste da Paraíba, as irmãs que nunca se separaram agora vão seguir rumos diferentes confiando no poder da educação.

    Maria Isabel conquistou o primeiro lugar no curso de medicina da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), e obteve a maior nota geral de toda a universidade, com uma média de 831,76 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

    Já Maria Júlia ficou em primeiro lugar no curso de jornalismo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), resultado que, apesar de relevante, não foi a principal conquista para a garota, que foi admitida na Barnard College, da Universidade de Columbia, em Nova York, nos Estados Unidos, e deve mudar de país em breve. A estudante também foi aprovada no curso de jornalismo na Universidade de São Paulo (USP).

    Maria Júlia explicou que estudar fora do Brasil sempre foi um sonho, mas o desejo de ser admitida em Columbia surgiu em meio a pandemia de Covid-19, quando ela ouviu falar da universidade. A estudante então passou a trilhar um longo caminho em busca da admissão, cumprindo várias atividades extracurriculares e protocolos exigidos por universidades do exterior.

    O processo de preparação teve início antes mesmo da estudante iniciar o Ensino Médio. Ela precisou de cartas de recomendação, obter boas notas em testes padronizados (referentes a uma prova que seria uma espécie de “Enem americano”, segundo Júlia), fazer teste de proficiência em inglês e escrever “inúmeras redações” sobre os “valores, trajetória, desafios e conquistas”. Nas redações, inclusive, a garota fez questão de falar das raízes nordestinas e do interesse em valorizá-las.

    “É um processo não linear e muito desafiador. Eu era a única do meu ano que estava aplicando para universidades no exterior (…) Não conhecia outras pessoas da minha cidade que tivessem conquistado tal feito, sabia que o custo para estudar lá era altíssimo e acreditava que não era boa o suficiente para ser admitida. Mas, ao mesmo tempo, nunca deixei de galgar esse objetivo”, relatou.

    Apesar das dificuldades, Maria Júlia se engajou em várias ações de ativismo pelas causas femininas – área em que ela deseja trabalhar efetivamente no futuro. A jovem participou de projetos que lutam contra problemas sociais que atingem as mulheres, chegando a escrever para o blog online da Fundação Malala Yousafzai, da ativista paquistanesa e ganhadora do Nobel da Paz Malala Yousafzai. Nesse processo, conheceu a Barnard College.

    A Barnard College foi criada para ser a faculdade feminina de Columbia em uma época em que mulheres não eram aceitas na instituição. Hoje, Barnard ganhou autonomia e trabalha para “reafirmar os valores e formar mulheres fortes e pioneiras”. Maria Júlia foi admitida com bolsa de mais de R$ 1,5 milhões para estudar em Barnard.

    “A escolha de aplicar para a Barnard foi o desejo de realizar o sonho da Maria Júlia de 13 anos, mas também de continuar a galgar e lutar pelo que defendo. Sonho em um dia ser ativista da ONU Mulheres, e estar na cidade de Nova York vai me proporcionar oportunidades semelhantes” explicou.

    Maria Júlia deve estudar literatura na Barnard College, em Nova York, a partir de setembro deste ano. Será a primeira vez que ela e a irmã gêmea, Maria Isabel, vão ficar tão distantes uma da outra.

    “[O coração] fica apertado. A vida inteira tivemos uma à outra. Nunca estudamos separadas, no máximo em turmas diferentes. Mas é um processo necessário para amadurecermos e valorizarmos ainda mais a presença e a companhia uma da outra”, disse a estudante.

    Primeiro lugar em universidades federais

    O sonho de estudar em Columbia se realizou, mas Maria Júlia também teve outro motivo para comemorar em família. Apesar de desejarem atuar em áreas diferentes, ela e a irmã alcançaram a primeira coloração em duas universidades federais brasileiras em cursos de excelência.

    Para Maria Júlia, alcançar esse resultado, a primeira colocação no curso de jornalismo da UFMG, também provou que a preparação para o Enem não acontece somente no terceiro ano do Ensino Médio, já que ela também estava se dedicando a admissão em Barnard enquanto estudava para o Enem.

    “Alcançar o primeiro lugar em Jornalismo na UFMG, uma universidade de ponta no Brasil, foi a comprovação de que a preparação para o Enem não começa no terceiro ano do Ensino Médio. É, na realidade, consequência de uma vida inteira de estudo e preparação. A minha preparação para estudar fora, buscando tirar boas notas e ser uma aluna de destaque, trouxe como consequência essa aprovação na UFMG também, mesmo sem ter tido uma rotina de estudos focada especificamente para o Enem em 2025”, explicou a garota.

    Maria Isabel deve ficar em Campina Grande, Agreste da Paraíba, onde vai cursar medicina no campus sede da UFCG. Maria Júlia vai para Columbia estudar literatura. Com resultados semelhantes em realidades tão diferentes, as irmãs acreditam que vivem hoje uma conquista reflexo do incentivo da família.

    “Acredito que não seja apenas reflexo da nossa relação — de sempre nos apoiarmos e acreditarmos no potencial uma da outra —, mas também da nossa criação em casa. Tivemos grandes exemplos na família de pessoas que sempre valorizaram muito os estudos acima de tudo. Meu avô, Virgílio Brasileiro, que foi um grande exemplo de médico para minha irmã sonhar com a Medicina, também foi um grande exemplo para mim de alguém que valorizava o conhecimento, a literatura, a expressividade e a cultura. Ouvir as histórias de vida dele, como o fato de ter estudado fora, na França, sempre me inspirou muito. Além disso, nossos pais sempre nos apoiaram e estimularam nossas habilidades desde a infância. Acho que isso é reflexo de uma vida inteira de apego ao aprendizado que nasceu cedo em nós duas” relatou Maria Júlia.

    Maria Júlia diz, ainda, que não se surpreendeu com o resultado da irmã, Maria Isabel. A jovem alcançou a 1ª colocação geral na UFCG, ou seja, além de ser aprovada em medicina também obteve a maior nota entre os aprovados para os 92 cursos de graduação da instituição.

    “Foi uma alegria enorme! Mas não foi surpresa. Eu sabia que ela conseguiria e que não alcançaria nada menor do que isso. Ela passou um ano estudando e se esforçando muito. A equação não poderia dar outro resultado”, afirmou Maria Júlia sobre Maria Isabel.

    Maria Júlia e Maria Isabel comemorando com os pais a aprovação na universidade — Foto: Arquivo Pessoal/Maria Isabel Simões Brasileiro

    Conquista compartilhada com a família

    Para os pais das gêmeas, o médico André Brasileiro e a advogada Juliana Cristina Simões, atribuem o resultado positivo das filhas à dedicação e a base escolar. Agora, a família comemora em dose dupla.

    “Foi maravilhoso. Uma alegria enorme, mas principalmente um sentimento de imensa gratidão a Deus. Elas sempre terem sido boas alunas e terem se dedicado muito no ensino médio”, disse a mãe das estudantes, Juliana Cristina Simões Fernandes Brasileiro.

    André Brasileiro, pai de Maria Júlia e Maria Isabel, também é funcionário público da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e afirma saber que estudar em uma universidade pública de qualidade faz a diferença.

    “Foi uma grande felicidade. Mostra que o esforço delas foi fundamental. Sou funcionário público da UFCG há mais de 20 anos e sei como o ensino de uma universidade pública de qualidade pode fazer a diferença! Não há dúvidas que o mérito é da grande dedicação que elas mostraram na busca pela aprovação. As meninas sempre colocaram o estudo como uma prioridade para a vida delas e o resultado não poderia ter sido diferente”, finalizou o pai das gêmeas.

    G1/PB

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