Em um discurso a militantes e políticos aliados durante o comício de comemoração pelos 46 anos do Partido dos Trabalhadores, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu que a disputa eleitoral deste ano não será fácil para o partido e sua base, e conclamou os apoiadores e correligionários a estarem abertos a alianças e chegarem a novos públicos. “Não estamos com essa bola toda em todos os estados”, disse.
Lula, que também é presidente de honra do PT, defendeu ainda que a militância precisa sair às ruas e “estar nas periferias”, além de estar preparada para combater um bombardeio de “mentiras” caso queira garantir novos mandatos tanto na esfera federal quanto nos governos estaduais.
“Vamos ter que construir o nosso discurso político, que ainda não está pronto; vamos ter que preparar, porque estamos em uma guerra política”, disse o presidente em sua fala, que aconteceu na manhã deste sábado, 7, em Salvador, em um palanque que dividiu com seu vice-presidente Geraldo Alckmin e o antigo colega de chapa José Dirceu, além de ministros, senadores e outros representantes do PT, PSB e PCdoP. “Teremos que desmontar as mentiras e ter coragem de debater, não podemos ficar quietos, porque eles são desaforados. Não tem mais essa de ‘Lulinha paz e amor’. Essa eleição será uma guerra e temos que estar preparados para ela.”
O presidente destacou também a necessidade de ampliar o discurso e chegar a novos públicos. “Eu não quero ser presidente só do Bolsa Família, só do povo”, disse. “Precisamos pensar outro projeto para esse país, qual projeto vamos apresentar para que possamos despertar nos corações de nossos meninos e meninas a crença de que podemos construir outro país.”
Para Lula, não faltam programas de seu governo que cheguem às pessoas, mas há uma necessidade, também, de ajustar o discurso e as ações – “se dependesse só do que nós fizemos em comparação a eles nós já tínhamos ganhado essa eleição, mas não se iludam”, disse, depois de tecer críticas aos “sete anos de (Michel) Temer e (Jair) Bolsonaro”, que governaram, em sequência, de 2016 a 2022. “Para que servem as nossas secretarias, os nossos congressos? Vocês precisam estar na periferia e precisam ir para a rua conversar com o povo. Cadê o povo evangélico, de que falam tanto? Cerca de 90% dos evangélicos recebem os benefícios do governo, agora é preciso ir lá para conversar e falar dos problemas.”
Mais alianças
Reconhecendo a fragilidade do PT em várias praças eleitorais, Lula segurou a mão de Alckmin – seu antigo adversário de eleições passadas – e se dirigiu ao presidente do PT, Edinho Silva, para defender a necessidade de ampliar as parcerias.
“Vocês sabem que precisamos trabalhar, fazer alianças, não estamos com essa bola toda em todos os estados”, disse. “Como eu quero ganhar, temos que tratar de fazer as alianças necessárias para ganhar as eleições. Não é negar os princípios do PT. O acordo político é uma coisa tática para poder governar esse país.”
“Quando vocês imaginaram que eu e Alckmin estaríamos juntos?”, disse. “É a política da aliança política. É um dado concreto que mostra que a política é uma arte e a gente tem que saber lidar com ela.”
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