Em sua primeira agenda oficial após assumir o comando interino da Venezuela, Delcy Rodríguez afirmou nesta terça-feira, 6, que o país segue soberano e não está sob influência de potências estrangeiras, apesar da captura do ex-presidente Nicolás Maduro em uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos.
Em pronunciamento transmitido pela televisão estatal, a dirigente chavista reagiu diretamente às declarações do presidente americano, Donald Trump, que disse ter controle sobre o futuro venezuelano.
“O governo venezuelano governa o nosso país, ninguém mais. Não há nenhum agente externo governando a Venezuela”, afirmou Rodríguez, um dia depois de tomar posse no Parlamento. Ex-vice-presidente, ela assume o poder em meio a um cenário de forte instabilidade política e crescente pressão internacional após a prisão de Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores, acusados de narcotráfico e levados para uma penitenciária em Nova York.
Aliada histórica do ex-presidente, Rodríguez declarou lealdade a Maduro e prestou homenagens a apoiadores do regime. “Reconhecemos os mártires que deram a vida para defender a Venezuela”, disse durante uma reunião de governo em que também foram apresentados dados sobre a produção agrícola. Segundo ela, o país enfrenta “um caminho doloroso” diante do que classificou como uma “agressão inédita”, mas o chavismo seguiria mobilizado “pela paz e pela liberdade” do ex-presidente.
Em Nova York, Maduro declarou-se inocente das acusações, afirmou ser um “prisioneiro de guerra” e reiterou que continua sendo o presidente legítimo da Venezuela. A retórica reforça a disputa em torno da sucessão e amplia as tensões internas no chavismo.
Trump já alertou que Rodríguez poderá enfrentar “consequências severas” caso não adote medidas alinhadas às expectativas de Washington.
Entre as exigências americanas estão a abertura do setor petrolífero e de mineração a empresas dos EUA e possíveis liberações de presos políticos como parte de uma negociação.
No Parlamento, dominado pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), a abertura da legislatura 2026-2031 foi marcada por discursos em defesa de Maduro e de sua esposa.
Ao comunicar o início dos trabalhos à Suprema Corte, o deputado Pedro Carreño afirmou que a sessão ocorreu sob “fervor patriótico” e lamentou a ausência de Cilia Flores, a quem chamou de “sequestrada”.
Apesar do discurso de normalidade institucional, a transição ocorre sob forte vigilância internacional e em meio a denúncias de repressão.
Durante a cerimônia de posse dos parlamentares, ao menos 16 jornalistas foram detidos, segundo entidades da categoria, a maioria liberada horas depois.
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