A confirmação de uma morte por raiva humana na Paraíba acendeu um alerta para a saúde pública e, ao mesmo tempo, gerou reações preocupantes contra animais silvestres, especialmente os saguis. Diante desse cenário, o Conselho Regional de Medicina Veterinária da Paraíba (CRMV-PB) reforça que atacar ou maltratar esses animais é crime ambiental e não representa uma medida eficaz de prevenção da doença.
De acordo com o CRMV-PB, os saguis são animais silvestres protegidos por lei e fazem parte do equilíbrio dos ecossistemas. A agressão a esses animais, motivada pelo medo ou desinformação, além de ilegal, pode aumentar riscos à saúde humana.
“O sagui não é o vilão dessa história. O problema está no contato inadequado com animais silvestres e na falta de informação da população”, destaca o médico-veterinário e conselheiro do CRMV-PB, Altamir Costa.
A raiva é uma doença viral grave que afeta o sistema nervoso central e, após o surgimento dos sintomas, apresenta alta taxa de letalidade. A transmissão ocorre principalmente por meio de mordidas, arranhões ou contato da saliva de animais infectados com feridas ou mucosas.
Segundo Altamir Costa, a prevenção depende diretamente do comportamento humano. “Não se deve alimentar, tocar ou tentar domesticar animais silvestres. Essas práticas alteram o comportamento natural do animal, aumentam o risco de acidentes e favorecem a transmissão de doenças”, explica.
A legislação brasileira é clara quanto à proteção da fauna. A Lei Federal nº 9.605/1998, conhecida como Lei de Crimes Ambientais, estabelece que praticar atos de abuso, maus-tratos, ferir, mutilar, capturar ou matar animais silvestres é crime, com pena de detenção e multa.
O CRMV-PB também orienta que, em caso de mordida ou arranhão por qualquer animal silvestre, a pessoa deve lavar imediatamente o local com água e sabão e procurar atendimento de saúde o mais rápido possível para avaliação e início da profilaxia adequada.
“Respeitar a fauna é uma medida de saúde pública. Quando a população entende seu papel, protegemos os animais, o meio ambiente e as pessoas”, reforça Altamir Costa.
Caso de raiva humana – O caso registrado na Paraíba envolveu um homem que morreu após contrair raiva humana depois de ser mordido por um sagui. De acordo com as informações das autoridades de saúde, a vítima não procurou atendimento médico logo após a agressão, o que impossibilitou a adoção das medidas de profilaxia pós-exposição, fundamentais para evitar a evolução da doença.


