A passagem do presidente Lula por Recife, neste sábado, para acompanhar o Galo da Madrugada, foi muito mais do que uma agenda cultural. Foi, sobretudo, um gesto político carregado de simbolismo, e que serve como um espelho quase perfeito para o que pode acontecer na política da Paraíba nos próximos meses.
Em Pernambuco, Lula esteve à vontade, em casa. Foi recebido com entusiasmo pelo prefeito João Campos, aliado político, e não hesitou em cumprimentar e abraçar a governadora Raquel Lyra, mesmo ela não sendo sua aliada. O gesto foi claro: Lula não fechou portas. Ao contrário, manteve todas abertas.
Esse comportamento ajuda a entender a lógica que o presidente costuma adotar em períodos pré-eleitorais: diálogo amplo, pragmatismo e, sobretudo, tempo. Lula sabe que apoio declarado cedo demais pode custar caro depois. E é exatamente essa estratégia que começa a ser desenhada na Paraíba.
Por aqui, existe uma verdadeira corrida de bastidores para conquistar o selo de “apoio de Lula”. O MDB, liderado pelo prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, e pelo senador Veneziano Vital do Rêgo, articula nacionalmente para atrair o presidente ao seu projeto eleitoral de 2026. Veneziano, inclusive, se apresenta como “o senador de Lula”, lembrando apoios passados.
Do outro lado, a base governista estadual também se movimenta. O governador João Azevêdo, pré-candidato ao Senado, mantém boa relação com Lula e trabalha para que o presidente olhe com simpatia para o projeto que tem o vice-governador Lucas Ribeiro como pré-candidato ao governo do Estado.
E o tabuleiro não para aí. O prefeito de Patos, Nabor Wanderley, pai do deputado e presidente da Câmara, Hugo Motta, pré-candidato ao Senado, também faz questão de demonstrar publicamente admiração por Lula e já declarou que votou no presidente. Mais um projeto que busca esse carimbo político.
Diante de tantos interesses cruzados, o cenário mais provável é que Lula repita, na Paraíba, o mesmo roteiro visto em Pernambuco: acenar para todos, sorrir para todos, gravar vídeos com todos, e não fechar portas com ninguém. Para Lula, o apoio é valioso demais para ser entregue com antecedência. Para os grupos locais, a foto com o presidente já vale ouro político.
O PT da Paraíba, por sua vez, observa e aguarda. A decisão do partido passa, inevitavelmente, pela palavra final de Lula. Mas essa palavra não virá agora. Virá quando o calendário apertar, quando os palanques estiverem montados e quando o custo de cada escolha estiver claramente calculado.
Até lá, Pernambuco segue como exemplo. E a Paraíba, como expectativa. Os próximos capítulos dirão quem conseguirá transformar gestos em apoio real, e quem ficará apenas com a fotografia.
O governador, João Azevedo, inclusive esteve em Pernambuco, para prestigiar o carnaval, no camarote do presidente Lula.
Blog do Bruno Lira

