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O BrLab é um evento de mercado anual destinado à formação de profissionais, ao desenvolvimento e à integração do cinema ibero-americano Foto: Divulgação Petrobras
Até o fim dos anos 90, uma reclamação comum que se ouvia dos espectadores sobre o cinema nacional era acerca do som, com ruídos e dificuldade de entender o que os atores diziam. Essa queixa não existe mais. Esse é apenas um dos exemplos que demonstram a importância de investir na formação técnica de profissionais, acesso a novas tecnologias e equipamentos de ponta.
Para Silvia Cruz, CEO da distribuidora de cinema Vitrine Filmes, o Brasil possui uma cinematografia diversa e que tende a se conectar mais com o mundo por conta da profissionalização do setor. “A produção como um todo se beneficia de melhores profissionais. Atualmente é tudo muito organizado, um negócio de fato, com estudo, remuneração certa, planilhas. As pessoas vivem disso e a produção mais qualificada aquece o mercado”, explica.
Os dados econômicos refletem essa realidade. Uma pesquisa recente da Oxford Economics mostrou que em 2024 o setor audiovisual gerou R$ 70,2 bilhões para o PIB e 608.970 empregos. Já segundo a Agência Nacional de Cinema (Ancine), um em cada dez brasileiros que foi ao cinema até agosto de 2025 assistiu a um filme nacional. A participação no mercado subiu de 1,4% do público, nos oito primeiros meses de 2023, para 11,2% este ano. Esse amadurecimento do setor é sustentado por investimentos públicos e privados de longo prazo. Há mais de 30 anos, a Petrobras atua no audiovisual brasileiro, apoiando produções e iniciativas de formação que ajudam a qualificar profissionais e ampliar o alcance do cinema nacional.
Embora não isoladamente, a recente leva de prêmios internacionais importantes recebidos por filmes brasileiros é também resultado desse quadro. “Um projeto premiado e com boa recepção de público carrega o trabalho de todo um ecossistema de pessoas tecnicamente preparadas e que potencializa cada etapa”, conta Josephine Bourgois, diretora executiva do Projeto Paradiso, iniciativa privada que oferece apoio financeiro para profissionais da área que desejam estudar, se capacitar ou desenvolver seus projetos.
Existe uma renovação e uma ampliação significativa do conjunto de profissionais que integram o mercado audiovisual brasileiro. O processo de formação se tornou mais sofisticado, com cursos superiores teóricos e técnicos e espaços de formação continuada, como Labs, workshops e encontros internacionais de coprodução. Além disso, outros fatores também contam: o avanço das mídias digitais como principal forma de consumo cultural, a ampliação das políticas de cotas raciais e a atuação de iniciativas que promovem a entrada de profissionais de diferentes origens no setor.
De acordo com Rafael Sampaio, diretor e criador do BrLab e produtor audiovisual, não é apenas uma evolução técnica que tem ocorrido. Há também um aumento de repertório, oriundo da maior diversidade. “Isso fortalece o desenvolvimento de roteiros, de linguagem e de propostas narrativas e estéticas mais maduras. O crescimento do setor passa muito por essa qualificação criativa, não apenas operacional”, diz.
A atriz e produtora Cris Eifler, organizadora do Contraplano, maior evento da América Latina para discutir o ator no audiovisual, vê profissionais mais engajados em seus ofícios, “contribuindo para uma melhora significativa na atuação, direção e preparação para o cinema”. “Também enxergo diversos trabalhadores do setor pesquisando mercado em feiras e eventos internacionais”, completa.
Com vários anos de mercado e residindo atualmente na Alemanha, o roteirista e escritor David França Mendes acredita que a formação adequada acontece com o “cruzamento entre técnico e artístico”. Segundo ele, um equilíbrio entre esses dois aspectos resulta em um bom profissional. “Tem uma necessidade muito grande de experiência profissional e de vida”, afirma. Ele defende meios de formação sérios ligados a estágios. “Aqui na Alemanha é comum que uma parte do curso seja a pessoa treinar dentro de uma empresa e prestar contas ao curso dela. Não é só ser estagiário e servir café num set de filmagem. É participar efetivamente do processo”, complementa.
Embora o cenário atual seja mais promissor do que em outros momentos, ampliar a capacitação exige investimentos contínuos, tanto públicos quanto privados, além de inteligência de mercado para suprir as carências de forma estratégica. “Uma das grandes barreiras quando falamos em capacitação é a inserção dos nossos profissionais, e de seus projetos, no ambiente global. Há um desafio linguístico e cultural que ainda precisa ser superado, mas também uma escassez de programas voltados especificamente para esse objetivo”, ressalta Josephine.
Ainda assim, o sentimento para o futuro é de otimismo, com investimentos em capacitação e em produção caminhando juntos. “Eu vejo nosso cinema cada vez mais se apresentando para o mundo e cada vez mais qualificado”, diz Silvia. “O Brasil sempre teve abundância de talento, criatividade, histórias potentes e uma crescente maturidade narrativa e mercadológica dos projetos”, finaliza Rafael.
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