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Em um mundo cada vez mais dominado pelo streaming e pelos cinemas em shoppings, ainda existem espaços que não se preocupam em vender ingressos e assinaturas. São os festivais de cinema, que se dedicam a apresentar novos filmes, reunir cineastas e promover debates com o público, funcionando como uma plataforma qualificada para que cineastas apresentem seus trabalhos à crítica, ao mercado e aos espectadores. Ao mesmo tempo, oferecem ao público a oportunidade de ver obras que nem sempre chegam ao circuito comercial e, claro, de assistir a filmes em primeira mão antes de entrarem nesse circuito já conhecido.
Com mais de 30 anos de parceria e mais de 600 produções apoiadas desde 1995, a Petrobras tem contribuído para fortalecer esse ecossistema, ampliando o acesso ao cinema brasileiro e apoiando festivais, salas de exibição e iniciativas de formação de público. Atualmente, são centenas de festivais espalhados pelo Brasil. Desde festivais locais, para filmes produzidos naquela região específica, até os internacionais que reúnem películas de todo o mundo. O maior e um dos mais conhecidos festivais brasileiros é a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, conhecida carinhosamente como Mostra SP, que se prepara para completar 50 anos em 2026.
Criada durante a ditadura, quando começou com apenas uma sala no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), a Mostra transformou-se em um evento que hoje reúne centenas de filmes do mundo inteiro, funcionando como um verdadeiro recorte do cinema do mundo.
Sua curadoria mistura filmes que se destacam em premiações internacionais às obras que dificilmente chegariam ao circuito comercial brasileiro. “Com a curadoria você faz um retrato do mundo, um recorte do que tá acontecendo”, explica Renata de Almeida, diretora da Mostra SP. “E a curadoria fez a mostra ser como um amigo que propusesse ‘olha esse filme, eu gostei, acho que tem essa importância’”, diz, reforçando a importância de oferecer ao público filmes que dialoguem com questões contemporâneas e humanistas, de diretores consagrados a novas vozes.
Sessões lotadas e encontros entre realizadores e espectadores mostram que há demanda por esse tipo de atividades. “É uma oportunidade do público ouvir o diretor, a equipe, entender o processo”, avalia Almeida. Em 2025, foram realizadas 1.291 sessões distribuídas em salas tradicionais, na Sala Petrobras, construída na Cinemateca Brasileira especialmente para o evento, e em centros educacionais de São Paulo — iniciativa pensada tanto para formação de público quanto para valorizar as infâncias.
Casamentos, amizades duradouras e sessões lotadas fazem parte dessa história. A diretora brinca que a Mostra só existe porque existe público e, claro, porque existe patrocínio que permite ampliar acessos, realizar sessões com legenda e expandir ações para crianças e periferias. Para Almeida, os festivais se tornaram quase substitutos ao circuito exibidor tradicional, oferecendo oportunidade para que os filmes brasileiros e internacionais sejam exibidos diante de um mercado cada vez mais restrito.
Para longe do Sudeste

53º Festival de Cinema de Gramado – Palácio dos Festivais Foto: Cleiton Thiele/Agência Pressphoto
Impossível falar de festivais de cinema no Brasil sem lembrar de Gramado, no Rio Grande do Sul, e do icônico troféu Kikito, símbolo que marcou gerações. Prestes a completar 54 anos, o festival segue como uma das referências do audiovisual brasileiro. “Foi criado para incentivar e fomentar o cinema realizado no Brasil e no Rio Grande do Sul e é um palco de resistência que se manteve vivo mesmo nos momentos mais difíceis para o setor”, conta Rosa Helena Volk, presidente da Gramadotour.
Ao longo de sua história, Gramado encontrou maneiras de seguir relevante, mesmo diante de crises políticas e de períodos com pouca produção nacional. “Sempre Gramado encontrou uma forma de manter a telona aberta para mostrar o que o Brasil estava fazendo e a importância do cinema para o país”, destaca Volk.
Atualmente, o evento se consolida como um ambiente de encontro entre criação e mercado, aberto à diversidade de formatos e trajetórias. “É um festival que discute, que dá espaço para curtas, longas, iniciantes e consagrados, sempre em diálogo com o mercado”, afirma Volk. Para ela, Gramado e outros festivais são essenciais principalmente quando os filmes têm menos espaço no circuito comercial. “É o palco e o fomento onde realizadores podem experimentar linguagens, iniciar seus trabalhos ou eternizar seus nomes”, frisa.
A mais de 2 mil quilômetros dali, na capital do Brasil, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro ocupa um lugar singular no audiovisual por ser o mais antigo do país ainda em atividade. São 60 anos e 58 edições. Assim como nos outros festivais, sua história é marcada por resiliência. Sobreviveu a interrupção durante a ditadura militar, enfrentou crises políticas e sociais.
Realizado no icônico Cine Brasília, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, o festival se tornou uma plataforma essencial para o desenvolvimento do cinema nacional. “É o momento anual de compreensão de um movimento cinematográfico que representa aquela safra e um grande ponto de formação, olhar e acompanhamento da progressão do cinema”, conta Sara Rocha, diretora geral do festival.
Ao longo dos anos, o evento passou por alterações de formato e duração, mas manteve sua essência como vitrine do cinema nacional. “E como uma ágora de debate, de instigação entre poder público e sociedade civil organizada em benefício da formulação de mais e melhores políticas públicas para o cinema”, resume Rocha.
Formação de equipe e de público

Abertura Oficial da 28ª MOSTRA TIRADENTES Foto: Leo Lara/Universo Produção
Em Tiradentes, no interior de Minas Gerais, o foco principal do festival é a formação. Desde a criação, a organização entendia que não há indústria audiovisual sem oferecer oportunidades de aprendizado. “As oficinas são o carro chefe da programação”, explica Raquel Hallak, coordenadora da Mostra de Tiradentes, hoje em sua 29ª edição. “Há a preocupação com formação, porque sem oferecer formação você não fomenta a indústria audiovisual”, complementa.
O impacto desse compromisso aparece em trajetórias de realizadores como André Novais de Oliveira, hoje um dos diretores mais importantes do cinema brasileiro, dos filmes Temporada (2018) e O Dia Que Te Conheci (2023). “Pra fazer cinema brasileiro precisa assistir filme brasileiro”, diz Oliveira. “E Tiradentes exibe só filme brasileiro e contemporâneo. Eu tentava ir todo ano pra assistir os filmes, ver os debates. É muito importante”, conta.
Outra história simbólica é a do diretor Gabriel Martins, de Marte Um (2022) e O Último Episódio (2025), que participou de uma oficina em Tiradentes e nunca mais largou o cinema. As histórias resumem um dos propósitos do festival: ser porta de entrada para jovens realizadores. A convivência na cidade estimulou o surgimento de coletivos de cineastas de todo o país que, mesmo sem dinheiro, se organizavam ali para produzir seus primeiros filmes em redes de colaboração.
A aposta na formação anda junto com a ousadia da curadoria, que tem foco total no cinema contemporâneo brasileiro. “A proposta é entender que o cinema é um reflexo do nosso país, de quem nós somos, da nossa identidade e que, com isso, a gente está sempre em movimento”, resume Hallak.
O sucesso dessa experiência inspirou a ampliação do circuito mineiro, que inclui a Mostra de Cinema de Ouro Preto (CineOP), criada em 2006 com foco na preservação, e o Festival Internacional de Cinema de Belo Horizonte (CineBH), com foco nos filmes latino-americanos, também produzidos por Hallak. “Quanto mais festival, melhor”, diz a produtora, ressaltando a importância de que os filmes cheguem até o público, já que têm cada vez menos espaço nos circuitos comerciais.
Cinema com pé na areia

Mostra de Cinema de Gostoso transforma a praia de São Miguel do Gostoso, no Rio Grande do Norte, em uma sala de cinema ao ar livre Foto: Divulgação/Petrobras
Desde sua criação, em 2013, a Mostra de Gostoso cresceu em programação, estrutura e apoio, incluindo o patrocínio da Petrobras, mas mantém sua essência: ampliar o acesso ao cinema com programação gratuita e envolvimento direto da comunidade em todas as etapas.
A experiência é complementada pela Sala Petrobras, uma tenda geodésica climatizada montada na areia, que mantém o mesmo padrão técnico das outras exibições. Outro diferencial é o vínculo com a comunidade: jovens da cidade participam de cursos de formação meses antes do evento e integram a produção.
“Mostras e festivais são fundamentais para manter vivo o diálogo do cinema brasileiro com o público, apresentar obras com linguagens inovadoras e impulsionar novas gerações de realizadores”, conclui Puppo.
Esse papel de difusão também se reflete em iniciativas como a Sessão Vitrine Petrobras, que leva filmes brasileiros a mais de 30 cidades com ingressos acessíveis, sessões com recursos de acessibilidade, debates e atividades de formação de público, reforçando a importância da democratização do acesso ao cinema nacional.
Além disso, são ativos econômicos que contribuem para o turismo, para a economia criativa e para a identidade de cada localidade.
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