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Assista ao trailer de ‘Pluribus’, nova série do criador de ‘Breaking Bad’
Série é estrelada por Rhae Seehorn, e tem produção de Vince Gilligan. Crédito: Reprodução/YouTube/Apple TV
Quando Vince Gilligan criou Walter White (interpretado por Bryan Cranston), o professor de química que decide produzir metanfetamina após descobrir um câncer, e Saul Goodman (interpretado por Bob Odenkirk), o advogado trambiqueiro que quer provar seu valor e sair da sombra do irmão – personagens intrigantes do universo de Breaking Bad, a premiada série que rendeu o spin-off Better Call Saul e o telefilme El Camino –, ele conseguiu fazer desses homens fracassados, de orgulho machucado e desprezíveis em diversos aspectos, figuras adoradas pelo público.
Mas agora, sua protagonista em Pluribus é retratada de maneira oposta. Nos primeiros episódios do recém-lançado seriado da Apple TV, a cínica e irreverente Carol Sturka (vivida por Rhea Seehorn) parece ocupar a posição heroica e respeitável a qual White e Goodman nunca alcançaram. Escritora de sucesso e aparentemente sem grandes problemas, Sturka faz parte do seleto grupo de pessoas imunes a uma espécie de vírus alienígena – uma “cola psíquica” – que transformou os humanos em seres robóticos, amigáveis e que compartilham uma mesma consciência.

‘Em Pluribus’, a personagem Carol Sturka é imune a uma espécie de vírus alienígena que deixa a humanidade feliz Foto: Divulgação/Apple TV
A narrativa investiga temas como a tensão entre individualidade e coletividade, tratando a felicidade de maneira aterrorizante imposta como uma forma de controle, além de aludir aos perigos da era da inteligência artificial e dos algoritmos. Não por acaso, há um aviso incomum nos créditos do capítulo de estreia: “Esta série foi feita por humanos”.
“A tecnologia tornou as pessoas mais infelizes”, diz Gilligan ao Estadão, em entrevista por videoconferência. “A promessa da tecnologia, em geral, e das redes sociais, era que o mundo estaria conectado como algo único, como em Pluribus. Mas isso criou um mundo menor, que aumenta o extremismo, distancia as pessoas e faz com que elas criem tribos ”, complementa.
O showrunner teve as primeiras ideias para Pluribus há quase 10 anos, bem antes da covid-19 assolar a humanidade, e criou o papel principal tendo em mente Rhea Seehorn, atriz pouco badalada que se destacara como a durona advogada Kim Wexler em Better Call Saul. Ele já afirmou que pretende torná-la uma “estrela” no ramo e que a nova produção deve durar quatro temporadas.

Rhea Seehorn, à esquerda, é a protagonista de ‘Pluribus’, nova série de Vince Gilligan Foto: Divulgação/Apple TV
Durante a conversa, Seehorn e Gilligan também analisaram os impactos antropológicos da pandemia na sociedade e como ela afetou o nosso comportamento. “Passar por tudo aquilo foi horrível por tantos motivos. E espero que em alguns anos nossos melhores antropólogos e cientistas políticos escrevam artigos sobre o efeito real que isso teve globalmente”, diz a atriz. “Mas não foi de todo o ruim. Foi bom ser lembrado de desacelerar e investir no que realmente te faz feliz”, reforça ela.
“Acho que a pandemia fez com que ficássemos com mais medo uns dos outros. E fez com que as pessoas se esquecessem de como interagir”, pontua Gilligan. “As pessoas vão ao cinema e acham que estão na sala de casa, falam em voz alta. Mas há outros seres humanos ali e você tem que ser respeitoso”.
Vince Gilligan, criador de ‘Breaking Bad’ e ‘Pluribus’, é um dos principais nomes da Era de Ouro Moderna da TV americana Foto: Divulgação/Apple TV
A transição da Era de Ouro da TV
O realizador de 58 anos é peça fundamental da Era de Ouro Moderna da TV americana, fenômeno que começou no final dos anos 90 e se estendeu até meados de 2010. O período marcou uma grande transformação no formato, sob as rédeas de canais a cabo com poderio de investimento, como HBO, AMC e FX, que apostaram em narrativas complexas, personagens ambíguos e temas adultos. Séries como Família Soprano, The Wire, Deadwood, Mad Men e Breaking Bad redefiniram os parâmetros de qualidade televisiva, introduzindo uma linguagem cinematográfica e explorando questões morais de maneira revolucionária.
Muitos de seus colegas visionários, contudo, não participaram da transição para o streaming, que resultou em um oceano de conteúdo e na concepção de novas atrações em larga escala.
Gilligan lembra que anos atrás já concordou com John Landgraf, presidente da FX, quando o executivo disse que havia “televisão demais” no mercado. Hoje, porém, ele tende a ter uma visão mais positiva, salientando que a transmissão de conteúdo digital democratizou a ideia de que os programas de TV de todo o mundo podem estar disponíveis em todos os lugares da Terra.
“De repente, hoje podemos ver esses maravilhosos programas de TV coreanos, coisa que anos atrás seria impossível. Tenho certeza de que há programas maravilhosos no Brasil também”, ressalta ele.
“Nos EUA, a maioria de nós ama a ideia de democracia e queremos uma sociedade onde todo mundo possa ter seu próprio programa de TV. E isso só pode acontecer se houver mais e mais produtos, o que também é bom por gerar mais empregos. Então, acho que na maioria das vezes esse fenômeno é uma coisa boa. No fim das contas, se o negócio puder se sustentar economicamente, no sentido de não custar mais do que gera, estaremos em um bom caminho”, finaliza.
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