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A Fifa anunciou seu retorno ao futebol virtual após o divórcio da Electronic Arts (EA) em 2022. Aproveitando o ciclo da Copa do Mundo de 2026, a entidade firmou parceria com a Netflix para um jogo desenvolvido pela pouco conhecida Delphi Interactive.
A estratégia revela um choque de realidade: ao escolher uma plataforma de streaming e um estúdio sem histórico em jogos de esporte “Triple A”, a Fifa admite que não consegue competir tecnicamente com a EA no curto prazo. A opção foi monetizar a marca em um ecossistema fechado, de menor custo de produção e com centenas de milhões de assinantes.

Fifa e Netflix farão juntas jogo sobre a Copa do Mundo de 2026. Foto: Fifa
O contexto da separação explica o novo momento. Em 2022, EA e Fifa encerraram uma parceria iniciada em 1993. A entidade máxima do futebol exigia dobrar a taxa de licenciamento para cerca de US$ 300 milhões anuais. A publisher americana recusou, buscando liberdade para explorar novos modelos de receita e parcerias comerciais (como com a Nike) sem as amarras institucionais da federação.
Na prática, a ruptura expôs a fragilidade do ativo da Fifa no mundo digital. A EA detinha a tecnologia (a engine do jogo) e os contratos comerciais com ligas e atletas (via FIFPRO). A FIFA detinha apenas uma marca forte e a Copa do Mundo. Sem a parceira, a entidade prometeu lançar “o melhor jogo de futebol”, gerando especulações sobre um acordo com a 2K Sports (da Take-Two Interactive). Até o momento, essa parceria de grande porte não se concretizou.
A realidade da Fifa pós-EA tornou-se a fragmentação de ativos. Em vez de um único parceiro exclusivo, a marca agora se divide em frentes menores: o Fifa Rivals, um jogo mobile focado em arcade e blockchain desenvolvido pela Mythical Games; uma parceria pontual com a Konami (eFootball) para a organização de torneios de esports; e o novo título da Netflix, voltado para o segmento casual de simulação.
A escolha da Delphi Interactive para o projeto principal reforça a mudança de perfil. Sediada na Califórnia e liderada por ex-executivos da Zynga (gigante do mobile), a Delphi não é uma desenvolvedora tradicional de simuladores esportivos. Seu portfólio destaca-se mais pela gestão de Propriedade Intelectual — como a colaboração no futuro jogo de 007 com a IO Interactive — do que pela criação de engines de física complexa.
O comunicado oficial da Fifa menciona “simulação”, mas a plataforma dita o produto: um jogo rodado via nuvem ou processador de celular, possivelmente jogável com o controle remoto da TV, tende a ser um arcade com roupagem de simulação, distante da complexidade mecânica do EA FC.
A lógica do dinheiro mobile
Embora o produto técnico deva ser inferior, a lógica de negócio é racional. É mais provável que o novo título dispute mercado com Dream League Soccer do que com os simuladores de console. E este é um mercado financeiramente gigantesco.
Em 2024, o setor global de games mobile faturou cerca de US$ 92 bilhões, quase o dobro do mercado de consoles (US$ 51 bilhões). A Fifa troca o prestígio do público hardcore pela escala do público casual.
A aposta na Netflix oferece acesso imediato a uma base instalada de quase 300 milhões de assinantes, eliminando a barreira de entrada do preço. Enquanto o jogador de EA FC paga cerca de R$ 350 pelo lançamento (mais microtransações), o usuário da Netflix joga sem custo adicional à assinatura. São produtos diferentes para bolsos e comportamentos de consumo diferentes.
Isso não significa que a Fifa abandonou a ideia de um jogo “Triple A” para consoles no futuro. A Copa do Mundo de 2026, seu principal ativo, exige presença digital. A entrada no mobile via Netflix foi a solução rápida para estancar a ausência de mercado e gerar receita, funcionando como um passo intermediário — e lucrativo — de uma reconstrução de marca que será mais longa do que a entidade previa.
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