Ratinho critica Erika Hilton em programa de TV e deputada pede R$ 10 milhões por transfobia
O clima pesou entre os bastidores da TV e o Congresso Nacional. Nesta quarta-feira (11) o apresentador Ratinho (Carlos Roberto Massa) utilizou seu programa ao vivo no SBT para criticar duramente a eleição da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara.
A reação da parlamentar foi imediata e já nesta quinta-feira (12) ingressou com um pedido de investigação no Ministério Público de São Paulo que pede uma condenação por transfobia e uma multa milionária ao apresentador do SBT.
A fala de Ratinho: “Mulher tem que ter útero”
Durante o programa, Ratinho questionou a legitimidade de Erika para ocupar o cargo na comissão, baseando sua crítica em critérios biológicos:
“Ela não é mulher, ela é trans. Como é que coloca uma trans para cuidar da comissão da mulher? Mulher tem que ter útero, tem que menstruar, tem que sentir a dor do parto”, afirmou o apresentador, sob aplausos da plateia presente no estúdio.
Em nota, o SBT disse repudiar “qualquer tipo de discriminação e preconceito, que são o oposto dos princípios e valores da empresa. As declarações do apresentador Ratinho, expressadas ao vivo ontem em seu programa, não representam a opinião da emissora e estão sendo analisadas pela direção da empresa, que tratará do tema internamente a fim de que nossos valores sejam respeitados por todos os colaboradores”.
A Resposta Jurídica de Erika Hilton
Erika Hilton, que faz história como uma das principais lideranças trans no país, classificou a fala como um ato de ódio que legitima a violência contra a comunidade LGBTQIA+. A ação protocolada pela deputada inclui:
- Pedido de Prisão: Com base na equiparação da transfobia ao crime de racismo pelo STF.
- Indenização de R$ 10 milhões: Valor solicitado por danos morais coletivos.
- Retratação Pública: Exigência de que o apresentador e o SBT usem o mesmo tempo de antena para esclarecer os direitos das mulheres trans.
Em suas redes sociais, a deputada publicou que “sim, estou processando o apresentador Ratinho. Sei que, pela audiência irrisória de seu programa, que até onde sei não agrada nem suas chefes no SBT, lhe resta apelar à violência. Porque o que o apresentador cometeu foi uma violência, um ataque, e não foi só contra mim. Ratinho interrompeu seu programa pra dizer que mulheres trans não são mulheres, que mulheres que não menstruam não são mulheres, que mulheres que não têm útero não são mulheres e que mulheres que não têm filhos não são mulheres”.
Web Dividida e Risco de Boicote
Nas redes sociais, o episódio gerou um “incêndio” digital. De um lado, hashtags de apoio a Ratinho defendendo a “mulher biológica” ganharam tração. De outro, movimentos sociais e celebridades iniciaram uma campanha de boicote aos anunciantes do programa e do SBT.
Um lado argumenta que deve prevalecer a liberdade de expressão do apresentador Ratinho com foco em pautas biológicas. A plateia física do programa que foi ao ar deu completo apoio à fala de Ratinho.
Já outro lado afirma que a fala de Ratinho é criminosa e nega a existência jurídica de mulheres trans. Os apoiadores da deputada pretendem fazer uma forte mobilização jurídica e pressão sobre o SBT.
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