O Coração do Planeta: Núcleo interno da Terra pode ter iniciado rotação reversa
Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Pequim revelou observações surpreendentes sobre as profundezas do nosso planeta. Segundo os cientistas Yi Yang e Xiaodong Song, o núcleo interno da Terra — uma esfera sólida de ferro e níquel do tamanho de Marte — parece ter interrompido sua rotação em relação à superfície na última década e pode estar iniciando um movimento no sentido inverso.
A descoberta, baseada na análise de ondas sísmicas de terremotos desde a década de 1960, sugere que essa mudança não é um evento catastrófico, mas sim parte de um ciclo que se repete a cada sete décadas.
Um Ciclo de Sete Décadas
Os pesquisadores acreditam que o núcleo interno alterna sua velocidade de rotação em um ciclo previsível. De acordo com os dados coletados:
- Início dos anos 70: Ocorreu a última grande inversão ou mudança de ciclo detectada.
- Década de 80 e 90: O núcleo apresentava uma mudança clara e rápida na rotação.
- 2009/2010: A rotação quase cessou, entrando em um estado de sincronia com o restante do planeta.
- Atualidade (2026): O núcleo pode estar passando por um processo de retrocesso (rotação reversa).
Como os cientistas “enxergam” o núcleo?
Como o núcleo está situado a cerca de 5.100 quilômetros abaixo da crosta, não é possível observá-lo diretamente. A ciência utiliza a sismologia como uma ferramenta de diagnóstico, similar a um ultrassom do planeta.
| Camada | Estado | Função na Rotação |
|---|---|---|
| Núcleo Interno | Sólido (Ferro/Níquel) | Gira impulsionado pelo campo magnético. |
| Núcleo Externo | Líquido | Permite que o núcleo interno gire de forma independente. |
| Manto | Semissólido | Exerce força gravitacional que equilibra a rotação. |
Devemos nos preocupar?
A resposta curta é não. Especialistas como o geofísico Hrvoje Tkalcic reforçam que o núcleo não “para” de girar no sentido absoluto; ele apenas fica mais ou menos sincronizado com o movimento da crosta terrestre.
“Nada cataclísmico está acontecendo. O núcleo interno está agora mais sincronizado com o resto do planeta do que há uma década”, explica Tkalcic.
O estudo é fundamental para entendermos como as camadas profundas da Terra interagem e como as forças eletromagnéticas e gravitacionais moldam o campo magnético que protege a vida no planeta.
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