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    Lar»CULTURA & ENTRETENIMENTO»O melhor da música clássica em São Paulo em 2025 e o que esperar para 2026
    CULTURA & ENTRETENIMENTO

    O melhor da música clássica em São Paulo em 2025 e o que esperar para 2026

    adminPor admin22 de dezembro de 2025Nenhum comentário6 minutos de leitura0 Visualizações
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    As inaugurações de duas novas salas foram os principais marcos da vida musical de São Paulo em 2025. No aniversário da cidade, em janeiro, abriu-se a Estação CCR das Artes (rapidamente rebatizada de Estação Motiva). E, no final de novembro, foi inaugurado o Teatro Baccarelli.

    Instituto Baccarelli inaugura sala de concerto dentro de Heliópolis; conheça o novo teatro de SP

    Com a mesma excelência acústica da Sala São Paulo e do Cultura Artística, Teatro Baccarelli terá 530 lugares e será a casa da Sinfônica de Heliópolis. Crédito: Edilson Ventureli

    Anunciado como a primeira sala de concertos do mundo localizada dentro de uma favela, o Teatro Baccarelli caracteriza-se por beleza arquitetônica e excelência acústica. Ele coroa uma das mais louváveis iniciativas de inclusão social pela música de nosso país: o Instituto Baccarelli, que desde 1996 vem fomentando a educação musical em Heliópolis com uma proposta inclusiva e de excelência.

    O Teatro Baccarelli foi inaugurado em novembro, em Heliópolis Foto: Werther Santana/Estadão

    Já a Estação Motiva funciona como uma espécie de anexo da Sala São Paulo. Ideal para apresentações camerísticas, trouxe em seu primeiro ano de funcionamento uma programação arejada, variada e eclética (e para além da música), funcionando em sinergia e como complemento aos eventos do teatro principal da Praça Júlio Prestes.

    Na Sala São Paulo, a Osesp mostrou sabedoria não apenas na escolha do repertório, como dos artistas convidados a interpretá-lo. Não por acaso, os destaques foram justamente dois regentes chamados para passar duas semanas seguidas com a orquestra – ou seja, apostas de continuidade.

    O russo Vassily Petrenko encantou ao fazer as sinfonias Número 4 e Número 14 de Shostakovich e mostrou empenho ao fazer a estreia mundial de Breathing Blocks, do paulista radicado nos EUA Felipe Lara; e o francês Pierre Bleuse, diretor do Ensemble Intercontemporain, galvanizou a orquestra em um programa de seu país e outro de música russa, destacando uma leitura arrebatadora da Sagração da Primavera, de Stravinsky.

    O que a Osesp prevê para 2026

    Para 2026, a Osesp prevê a execução integral das sinfonias de Mendelssohn, a continuação da gravação dos concertos para piano de Villa-Lobos com Sonia Rubinsky, a celebração dos 60 anos do violonista Fabio Zanon (com escolha de repertório ousada – o japonês Toru Takemitsu) e convidados do peso do pianista francês Pierre-Laurent Aimard e do violinista sueco Daniel Lozakovich, que será o artista residente.

    A temporada abre com Gruppen, de Stockhausen, que prevê a atuação de três regentes, e inclui uma promissora encomenda de obra contemporânea brasileira: Cânticos Malditos, Gozosos e Devotos, de Leonardo Martinelli, sobre poemas de Hilda Hilst, com a mesma instrumentação de uma das peças mais visionárias de Stravinsky – As Bodas.

    Azares da temporada

    Já a temporada da Sociedade de Cultura Artística sofreu alguns azares. A cultuada Patti Smith, em janeiro, sofreu um mal-estar no palco e não fez a apresentação como planejada. Por motivos variados, o aguardadíssimo pianista russo Grigory Sokolov e o Quarteto de Jerusalém também deixaram de vir ao país. E uma gripe impediu a soprano Nadine Sierra de realizar a segunda de suas apresentações previstas.

    Patti Smith chorou após cair no palco e precisar interromper apresentação em São Paulo em janeiro de 2025. Foto: Gabriel Zorzetto/Estadão

    De qualquer maneira, isso não empanou o brilho de uma temporada que trouxe astros do quilate da mezzo-soprano letã Elina Garanca, do violinista russo Maxim Vengerov, do pianista norueguês Leif Ove Andsnes e do grupo francês de música barroca Les Arts Florissantes.

    De Simone Menezes a John Malkovich

    No ano que vem, os concertos começam com uma regente brasileira de destaque na Europa, Simone Menezes, e marcam o reencontro do público paulistano com artistas que deixaram saudades quando por aqui estiveram: o charmoso contratenor polonês Jakub Jozef Orlinski, o carismático tenor peruano Juan Diego Florez e, ao piano, o magiar András Schiff e o duo formado pelas irmãs francesas Katia e Marielle Labèque.

    Um cancelamento doído também marcou a série da Tucca (Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer), que comemoraria seus 25 anos trazendo ao Brasil a Orquestra de Filadélfia. De qualquer maneira, em 2026 sua temporada soa como uma das mais auspiciosas, prevendo, em setembro, uma apresentação do ator John Malkovich com uma orquestra barroca.

    Ainda no terreno da música feita com instrumentos de época, a Tucca deve trazer, em maio, a eletrizante Orchestre des Champs Elysées, sob a direção do cultuado belga Philippe Herreweghe. E terminar o ano, em dezembro, com a ópera Dido and Aeneas, de Purcell, com a excelência do Monteverdi Choir e English Baroque Soloists, regidos por Jonathan Sells.

    Ópera e discos

    Falando em ópera, parece incrível, mas este gênero continua sendo o principal veículo de divulgação da música dos compositores contemporâneos brasileiros – das mais diversas gerações e tendências.

    O carioca João Guilherme Ripper teve títulos encenados na Colômbia e na Espanha; em São Paulo, emplacou, no Cultura Artística, uma temporada de Onheama com marionetes, e teve Candinho (baseada na infância de Portinari) encenada no Teatro São Pedro.

    A casa da Barra Funda, que ainda não anunciou sua temporada de 2026, realizou uma excelente encenação de Falstaff, de Verdi, e estreou a segunda ópera de um compositor contemporâneo que sempre se declarou avesso ao gênero: Flo Menezes, com seus Oposicantos.

    Estação Motiva foi uma das novas casas a estrear em 2025 Foto: Alexandre Silva/Divulgação

    Enquanto isso, André Mehmari gravou em CD seu O Machete, baseado em Machado de Assis, e o jovem Piero Schlochauer teve sua surpreendente e fascinante O Afiador de Facas encenada dos dois lados da Via Dutra, no Rio de Janeiro e em São Paulo – nesta última, na Central Técnica Chico Giacchieri, ligada ao Teatro Municipal de São Paulo.

    Municipal furou a bolha

    O Municipal fez novamente uma temporada de casa cheia e grande repercussão. O que acontece lá realmente “furou a bolha” do nicho da música de concerto e ópera, e a polarização que marca a vida política do país acabou deixando suas marcas na discussão da programação da casa.

    Assim, ressuscitou-se até uma prática do século 19: claques de vaias a serviço de interesses extra-musicais. De qualquer maneira, o fecho foi mais do que positivo, com uma deslumbrante produção de Les Indes Galantes, de Rameau, comandada pela coreógrafa Bintou Dembélé e pelo superlativo Leonardo Garcia Alarcón, um argentino que reconfigura o conceito de regente.

    Variedade e ambição na temporada 2026

    Em 2026, a temporada promete ser ambiciosa e variada. Se Verdi e Wagner são os pilares do repertório operístico tradicional, o Municipal programou um monumento de cada um deles: Don Carlo e Tristão e Isolda.

    Haverá a reprise de uma das melhores montagens da casa dos últimos anos, O Amor das Três Laranjas, de Prokófiev; a corajosa Intolleranza 1960, de Luigi Nono; e a encomenda de uma nova ópera à paranaense Jocy de Oliveira, comemorando os 90 anos dessa pioneira fundamental da música em nosso país.

    A questão é saber o quanto disso realmente ocorrerá. Foi aberto o processo seletivo para a escolha de uma nova organização social para gerenciar o Municipal. Não se sabe quem ganhará, nem o que a entidade que assumir fará com a casa.

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